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Morreu a utilizadora mais velha do Facebook

Publicado em 28 de Julho de 2010   
Em Setembro, Ivy Bean escreveu uma carta ao i. Recorde aqui a simpatia daquela que seria a utilizadora mais velha do Facebook e do Twitter, com 104 anos
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Quando, a 8 de Setembro de 2009, sites de jornais internacionais se encheram de textos sobre o 104º aniversário da utilizadora mais velha das redes sociais, o i não descansou enquanto não conseguiu falar com a britânica. Ive Bean respondeu prontamente, com "amor para todos em Portugal".

Hoje, nove meses depois, o mundo das redes sociais perdeu uma grande utilizadora. Ivy Bean morreu esta manhã no lar em Bradford (Reino Unido) onde vivia há vários anos. Tinha 104 anos e a sua morte foi anunciada no seu Twitter.

As suas mensagens de update nas duas redes eram constantes e punham os seguidores de Ivy a par do seu dia-a-dia.

Esta foi a última carta que Ivy escreveu aos leitores do i - em Setembro de 2009.

 

Olá e obrigada pela mensagem! Passo os meus dias no Facebook sempre que consigo ter um portátil para mim, porque funciona por turnos. Ontem [8 de Setembro de 2009] tivemos uma artista na minha festa de aniversário que cantou todas as oldies que adoro, com todo o staff do lar, a minha filha e todos os residentes, claro. Acho que éramos cerca de 30 pessoas.

Casei-me quando tinha 39 anos. A guerra começou logo a seguir, então o meu marido teve de ir combater. Quando voltou saiu do exército e fomos os dois trabalhar - ele como cozinheiro e mordomo, eu como empregada de limpeza - para o Lord e a Lady Guinness (o casal da cerveja Guinness).

Toda a minha vida fui feliz e acho que a altura em que fui mais feliz foi quando o meu marido voltou da guerra são e salvo e, aos meus 42 anos, tivemos a nossa filha, foram tempos felizes.

Não penso muito em mim, apenas tento ter prazer e divertir-me e tento sempre ver o bem nos outros, porque acho que toda a gente tem um lado bom. Acho que devemos sempre tentar ajudar os outros. Durante a guerra, ninguém tinha muito, então partilhava-se tudo, a vida era relaxada, até podíamos sair e deixar a porta de casa aberta. Hoje já não, hoje tudo tem de estar fechado a sete chaves.

O meu marido era carinhoso e bondoso e estava disposto a fazer tudo por nós, que é a melhor característica que um homem pode ter. A nossa filha Sandra teve dois filhos, os meus netos deram-nos três bisnetos e em Março chegam mais dois bisnetos. A família está a expandir-se e vêm sempre visitar-me, mas é complicado. Só a Sandra, que entrou na reforma há pouco, é que vem 4 ou 5 vezes por semana, até lhe disse que ela devia arranjar um trabalho aqui no lar.

Os meus heróis são a Vera Lynn e o Peter Andre.

Um beijinho para todos os leitores do i.

Love,

Ivy



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