O Presidente da República sublinhou hoje, a propósito da lentidão das investigações, que o ritmo e as decisões da justiça têm de ser respeitados, mas escusou-se a fazer qualquer comentário sobre o processo Freeport.
Interrogado sobre o problema da lentidão da justiça, a propósito do processo Freeport, o chefe de Estado disse acompanhar “a generalidade dos portugueses nessa matéria”.
“Todos nós gostaríamos de muito mais celeridade na resolução dos processos de investigação e nos processos judiciais, mas a justiça tem o seu ritmo e eu respeito o ritmo da justiça”, salientou, em declarações aos jornalistas, à saída de uma visita à exposição sobre os carros dos Presidentes, patente no Museu da Eletricidade.
Por isso, acrescentou, “aqueles que estão no campo político" apenas "têm de respeitar as decisões das investigações que são realizadas”.
Cavaco Silva escusou-se ainda a falar sobre o processo Freeport, lembrando que “normalmente” não faz “qualquer comentário em relação aos processos judiciais”.
Uma nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), hoje divulgada, revelou que o Ministério Público acusou dois dos sete arguidos do processo Freeport e determinou o arquivamento dos crimes de corrupção (ativa e passiva), tráfico de influência, branqueamento de capitais e financiamento ilegal de partidos políticos.
O processo Freeport teve na sua origem suspeitas de corrupção e tráfico de influências na alteração à Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo e licenciamento do espaço comercial em Alcochete quando era ministro do Ambiente José Sócrates, atual primeiro ministro.
Entre os arguidos figuram os empresários Charles Smith e Manuel Pedro, João Cabral, funcionário da empresa Smith&Pedro, o arquiteto Capinha Lopes, o antigo presidente do Instituto de Conservação da Natureza Carlos Guerra e o então vice-presidente deste organismo José Manuel Marques e o ex-autarca de Alcochete José Dias Inocêncio.
Numa declaração aos jornalistas sobre o desfecho da investigação ao caso Freeport proferida ao início da noite, o primeiro ministro congratulou-se com o desfecho do processo, dizendo que a verdade acaba sempre por vir ao de cima e que foi vítima de uma “enormidade de calúnias”.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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