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Cameron irritado com obstáculos à adesão da Turquia à UE

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 27 de Julho de 2010   
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O primeiro ministro britânico, David Cameron, disse-se hoje “irritado” com os obstáculos colocados à adesão da Turquia à União Europeia, acusando os países que se opõem a essa adesão, a Alemanha e a França, de protecionismo, preconceito e polarização.

“Quando penso no que a Turquia fez para defender a Europa, enquanto aliado da NATO, e no que a Turquia está a fazer atualmente no Afeganistão ao lado dos aliados europeus, fico irritado de ver como o vosso progresso para uma adesão à UE seja frustrada da forma que tem sido”, disse David Cameron, num discurso durante uma visita à Turquia.

“Penso que é errado dizer que a Turquia pode guardar o acampamento mas não pode sentar-se dentro da tenda”, acrescentou o primeiro ministro britânico, que falava para uma audiência de empresários turcos.

Cameron criticou aqueles que se opõem à adesão turca com base em “três argumentos errados”: “o protecionismo”, “a polarização” de quem vê a história como um choque de civilizações e “o preconceito” de quem confunde islamismo com radicalismo islâmico.

A Turquia tem o segundo maior exército da NATO, depois dos Estados Unidos. No Afeganistão, mantém um contingente de 1800 soldados integrados na força aliada no país.

As negociações para a adesão da Turquia à UE, iniciadas em 2005, avançam muito lentamente. A Alemanha e a França têm manifestado a sua oposição à entrada na União de um país de 73 milhões de habitantes, maioritariamente muçulmanos.

David Cameron citou uma frase dita pelo general De Gaulle justificando a sua oposição à entrada do Reino Unido no clube europeu – “Aqui está um país que não é europeu… a sua história, a geografia, economia e o caráter do seu povo, tudo vai numa direção diferente” - para afirmar: “Sabemos o que é ser excluído do clube. Mas também sabemos que as coisas podem mudar”, disse.

O Reino Unido apoia desde há muito a adesão da Turquia à Europa e o Governo de David Cameron, eleito em maio, prometeu reforçar as relações com Ancara.

A França e a Alemanha, no entanto, mantêm a sua oposição a uma tal adesão, defendendo em alternativa uma “parceria privilegiada”.

“Somos favoráveis à continuação das negociações, não somos favoráveis ao ponto de chegada”, disse na segunda feira, em Bruxelas, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, Pierre Lellouche.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, que falou ao diário Bild antes de iniciar uma visita à Turquia, Ancara não está preparada para integrar a União Europeia.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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