Afeganistão

Santos Silva preocupado com alegadas ligações entre Paquistão e talibãs

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 27 de Julho de 2010   
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O ministro da Defesa disse hoje estar “preocupado”com as notícias que dão conta de ligações entre o Paquistão e os talibãs no vizinho Afeganistão, mas defendeu que a ISAF não deve desviar-se de ajudar o país.

Em declarações à agência Lusa no final de uma visita ao Museu Militar, em Santa Apolónia, Augusto Santos Silva reconheceu que “há muito a fazer” no combate à corrupção no Afeganistão, observando contudo que a comunidade internacional tem “o dever de se defender do terrorismo internacional”, que considerou ser “a grande ameaça à paz e ao desenvolvimento do mundo”.

“Vejo com preocupação [as notícias], mas essa preocupação não nos deve afastar do essencial”, assinalou.

“O Afeganistão tinha-se tornado num santuário para o terrorismo internacional, designadamente o terrorismo fundamentalista de matriz islamita, e isso colocava, como o 11 de setembro de 2001 mostrou, em perigo questões essenciais para a estabilidade do mundo e para a segurança do Ocidente, por isso houve necessidade de fazer uma intervenção no Afeganistão, fazendo cair o regime dos talibãs”, referiu.

Mais de 90 mil registos de incidentes e relatórios sobre a guerra no Afeganistão, escritos por soldados e elementos dos serviços secretos e "utilizados pelo Pentágono e tropas americanas no terreno" foram divulgados no domingo na página eletrónica Wikileaks (de fontes e análise política), mas o responsável pela sua publicação não está identificado.

De acordo com o New York Times, os documentos "sugerem que o Paquistão, aliado dos Estados Unidos, permite que elementos dos seus serviços secretos lidem diretamente com os talibãs" e que os serviços secretos paquistaneses e os talibãs realizavam "sessões de estratégia secreta para organizar redes de grupos rebeldes para combater tropas americanas no Afeganistão e até mesmo complôs para matar líderes afegãos".

O responsável pela pasta da Defesa lembrou que existe uma coligação internacional (que hoje reúne 46 países) que está há nove anos no Afeganistão e que “ajuda o Estado afegão a construir os seus próprios alicerces de segurança e de liberdade”.

“Não nos devemos desviar deste objetivo”, defendeu, sublinhando a “complexidade” daquela missão.

“Há, evidentemente, formas de corrupção inadmissíveis nas autoridades afegãs, provinciais ou nacionais, há muito caminho a fazer ainda pelo respeito por regras básicas da democracia, designadamente às que devem presidir a disputas eleitorais”, considerou.

Questionado se deve haver uma investigação sobre esta questão, Santos Silva respondeu: “O que eu acho é que o Paquistão, o Afeganistão, as potências regionais, os países aliados na ISAF, da NATO, toda esta coligação, deve estar comummente concentrada neste ponto – só há uma maneira de derrotar o terrorismo, essa maneira é política e é seguir os princípios e os procedimentos próprios da democracia”.

“A componente militar deste combate é essencial, mas é uma componente de um combate mais vasto, que é um combate político no sentido nobre do termo, é um combate pela cidadania”, concluiu.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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