Política
Alberto João Jardim critica "política medíocre" da actual liderança do PSD
Publicado em 26 de Julho de 2010
Revisão constitucional continua a suscitar ameaças do líder madeirense: "Ou o PSD de Lisboa é solidário connosco ou então passem bem, porque o nosso partido é a Madeira"
Poucos dias depois de ter pedido aos dirigentes do PSD que lhe fizessem o "favor" de o expulsarem do partido, o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, voltou a apontar baterias à actual direcção social-democrata. "Ou o PSD de Lisboa é solidário connosco ou então passem bem, porque o nosso partido é a Madeira", disse ontem o presidente madeirense, durante o seu discurso na festa do PSD Madeira, na herdade do Chão da Lagoa.
Em causa estava o diferendo suscitado pelo anteprojecto de revisão constitucional apresentado na semana passada pelo PSD, e que não acolheu as propostas trabalhadas pela Assembleia Legislativa da Madeira. Uma situação que levou Alberto João Jardim a prometer de imediato que a região da Madeira irá apresentar o seu projecto de forma autónoma na Assembleia da República e a constatar que os sociais-democratas estão a "caminhar para um partido cada vez mais diferente entre a Madeira e o PSD Nacional".
No discurso de ontem o tom das críticas extremou-se e o presidente da Madeira voltou a colocar o foco na fractura cada vez mais evidente entre si e Pedro Passos Coelho. "Não aceito que, sendo o PSD Madeira pela unidade nacional, haja indivíduos de Lisboa metidos na política medíocre e que queiram negar o que a Assembleia da Madeira determinou", lamentou.
Numa intervenção marcada por fortes críticas aos meios de comunicação madeirenses - com um apelo ao "saneamento da RTP Madeira" - e ataques cerrados à oposição regional - a quem rotulou de "corja de malucos" - Alberto João Jardim recordou ainda a tragédia ocorrida em Fevereiro na Madeira, sublinhando que esse acontecimento acentuou os problemas financeiros que a região atravessa. "Nunca menti a ninguém: a Madeira está com problemas financeiros", admitiu o líder madeirense, criticando o "garrote financeiro" que deixou o governo da Madeira "entalado pela Lei das Finanças Regionais".
Apesar de reconhecer que "Lisboa se portou bem" nos apoios logísticos e financeiros concedidos à região logo após as cheias que vitimaram mais de quarenta pessoas, Alberto João Jardim não poupou nas críticas "aos incompetentes de Lisboa e da União Europeia" que estão a dificultar a vida aos habitantes da região. "Temos de ajudar as pessoas a manter o emprego e temos de dar apoios sociais a quem mais está a sofrer com a crise. Temos de resistir às leis absurdas e incompetentes de Lisboa", defendeu, sem citar uma única vez o nome de qualquer membro do actual governo socialista.
Aliás, depois das "pazes" feitas com o primeiro-ministro no rescaldo da tragédia na Madeira, Alberto João Jardim deixou este ano a cargo do presidente da câmara municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, as críticas directas a José Sócrates. "É o maior vendedor de ilusões da história da democracia portuguesa", acusou o autarca, num discurso onde deu como garantida a existência de eleições legislativas antecipadas em 2011, após a realização das eleições presidenciais. Nos restantes discursos do dia, o secretário-geral do PSD Madeira, Jaime Ramos, revelou ainda que o partido vai defender a extinção do cargo de representante da República para as regiões autónomas e pedir um aumento de poderes legislativos para a Madeira.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Alberto João Jardim critica "política medíocre" da actual liderança do PSD
Actividade em ionline