Bastonário dos médicos critica "imaginação delirante" das administrações hospitalares

por Marta F. Reis, Publicado em 24 de Julho de 2010   
Pedro Nunes pondera tirar internos aos hospitais que não cumpram quotas mínimas de pessoal
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Para o bastonário da Ordem dos Médicos, a medida é no mínimo "estranha". Em reacção à notícia de que o Centro Hospitalar Lisboa Norte, que integra Santa Maria e Pulido Valente, deixará de ter especialistas nas urgências a partir de Setembro, Pedro Nunes diz: "O ministério continua a não ter mão na imaginação delirante das administrações hospitalares."

Depois de a TVI ter avançado as alterações, de acordo com um documento interno a que teve acesso, o porta-voz do CHLN, José António Pinto da Costa, questionou a origem da informação, admitindo que se trata apenas de uma reorganização do pessoal, mediante uma deliberação interna, e que não afectará os doentes. "O Hospital de Santa Maria nunca deixou de tratar ninguém, mas precisar de um ortopedista não significa que ele esteja sentado nas urgências à espera", disse ao i.

Uma funcionária do Santa Maria adiantou à TVI que deixarão de estar garantidas todas as especialidades no banco, dando como exemplo uma situação de enfarte, que exigirá um especialista de imediato. Pedro Nunes alerta: "Se há coisa que não podem pedir à Ordem é que, numa situação destas, se houver um acidente ou os doentes ficarem com lesões, se ponha ao lado das administrações e dos médicos", sublinhou ao i, ponderando mesmo não atribuir vagas de internato a estes hospitais. "Ainda não está decidido, falta ouvir a administração regional", diz. Para o bastonário, a medida é um esforço de contenção financeira na fatia errada do bolo. "Faz-se contenção com recurso a tecnologias mais baratas, como o fim de actos médicos desnecessários e menos burocracia. Se há que cortar no pessoal, cortem nos administradores."

Pedro Nunes garante que, para já, não tem conhecimento de nenhum acidente médico resultante da redução de pessoal dos serviços - mas sublinha o "ainda". "Há um mês, o Hospital de Portimão queria ficar só com um intensivista na urgência, no Verão, com um milhão de turistas no Algarve. Se um hospital estiver a trabalhar sem qualidade, não é um acidente, é acto culposo", lembra.


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