O turismo religioso em Portugal envolve cerca de sete milhões de pessoas/ano e, embora não haja estatísticas oficiais, deve corresponder a cerca de 10 por cento do movimento turístico total, gerando receitas anuais de 700 milhões de euros.
A não existência de estatísticas oficiais, e de apenas estimativas da Secretaria de Estado do Turismo, explica-se pelo facto do turismo religioso ou turismo com destinos religiosos não ser considerado individualmente, mas integrado naquilo que é chamado de "turismo cultural" ou "touring cultural".
Uma opção que é criticada por investigadores e operadores, que defendem a reformulação do Plano Estratégico de Turismo, de modo a acolher um 11º pólo, o do turismo religioso.
A falta de dados fidedignos sobre este sector de actividade turística é reconhecida tanto pelo Turismo de Portugal como pela Associação Mundial de Turismo Religioso (WRTA), cujo presidente, Kevin Wright, referiu, numa resposta escrita enviada à Lusa, que "não há dados específicos sobre Portugal, além dos que se referem ao Santuário de Fátima".
Kevin Wright mencionou a propósito que o Santuário faz um "excelente trabalho" nessa área, embora se refiram apenas às peregrinações e número de peregrinos que se registam nos seus serviços.
A nível mundial, o turismo religioso movimenta entre 300 e 330 milhões de pessoas por ano, gerando receitas de 15 a 18 mil milhões de euros.
Portugal terá uma fatia de cerca de dois por cento desse tráfego turístico, disse à Lusa Varico Pereira, da cooperativa Turel, indicando que o turismo religioso envolve cerca de sete milhões de pessoas/ano, dos quais cinco milhões têm Fátima como destino.
A nível mundial, Lourdes (França) é um dos principais destinos turísticos religiosos, com seis milhões de visitantes, mas a peregrinação a Kumbha Mela (Indica), que se realiza durante dois meses de 12 em 12 anos, reuniu em 2001 75 milhões de pessoas.
A Santiago de Compostela (Espanha), que vai ser apresentado no 2º Congresso Iberoamericano de Destinos Religiosos/V Congresso Internacional de Cidades-Santuário como exemplo de gestão turística, acorrem mais de quatro milhões de visitantes, enquanto a peregrinação anual a Meca atinge os 2,5 milhões de visitantes.
Em Portugal, Fátima é o principal destino, com cerca de cinco milhões de visitantes por ano, a larga distância dos restantes principais locais, quase todos na zona norte, segundo Varico Pereira, responsável da Turel, uma cooperativa que envolve locais turísticos religiosos, autarquias, dioceses, irmandades e confrarias e que pretende gerir e melhorar a qualidade dos fluxos turísticos nesta área.
Os Santuários do Bom Jesus e de Nossa Senhora do Sameiro (ambos em Braga) e de São Bento da Porta Aberta, no Gerês, surgem depois na lista dos locais religiosos mais visitados, com cerca de um milhão de turistas/ano.
Outros locais ligados à religião com um número significativo de visitantes são o Santuário da Senhora da Penha, em Guimarães, a Batalha, Nazaré, Vila Viçosa, o Convento de Mafra e o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Para Varico Pereira, é preciso não esquecer que 75 por cento do património português é de origem religiosa, pelo que a grande maioria das visitas é feita a locais religiosos, "o que representa um grande potencial de desenvolvimento".
Sinal da crescente importância do sector, o responsável da Turel mencionou o facto de o Vaticano ter criado em 2007 uma companhia de aviação de baixo custo, em colaboração com os Correios italianos, que faz ligações aéreas para destinos como Lourdes (França), Roma, Santiago de Compostela (Espanha), Czestochowa (Polónia) e Fátima.




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