Número de mortes na estrada superior ao do ano passado

por Inês Cardoso , Publicado em 20 de Julho de 2010   
Vítimas que morrem nos hospitais estão a ser contabilizadas desde Janeiro, mas não são divulgadas
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O número de mortes em acidentes rodoviários ultrapassou o do mesmo período do ano passado. Até 15 de Junho, última data com dados actualizados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), estão contabilizadas 355 vítimas mortais, mais uma que em 2009. Embora mínima, a diferença contraria uma tendência de diminuição que tem sido a norma na última década.

Os dados não contam ainda com os acidentes do fim-de-semana negro, que fechou domingo com 12 mortes - oito na área da GNR e quatro nas zonas patrulhadas pela PSP. Lisboa e Porto, os dois distritos do país com mais sinistralidade, registam nos primeiros seis meses e meio do ano aumentos significativos de dez e 14 vítimas, respectivamente. Braga, Faro e Portalegre são outros casos de subida, a que se juntam, com valores menos acentuados, Aveiro, Bragança, Castelo Branco e Évora.

Por divulgar continuam as estatísticas que incluam as mortes a 30 dias, ou seja, de vítimas hospitalizadas e que até ao final do ano passado escapavam à informação oficial. Os relatórios anuais da ANSR apenas contabilizavam as vítimas no local do acidente ou durante o transporte até à unidade de saúde. No ano passado, um grupo de trabalho definiu os procedimentos para a contabilização que permitirá um diagnóstico mais fiel da realidade. A GNR e a PSP já adoptaram a nova metodologia, mas nenhum balanço foi entretanto feito pelas autoridades.

A ANSR previa que o sistema de mortes a 30 dias registasse um atraso até seis meses, o que não explica a total ausência de dados até esta data. O i tentou saber junto da Autoridade de Segurança Rodoviária e do Ministério da Administração Interna quando será feita a divulgação, mas não houve resposta em tempo útil. Os dois sistemas estatísticos deverão manter-se em paralelo para efeitos de comparação com anos anteriores.

A nível internacional, a prática é registar as mortes a 30 dias. Para comparação com os outros países europeus, Portugal aplicava um coeficiente de correcção de 14%, mas as associações do sector têm alertado para a desactualização desse coeficiente. Em 2009, por exemplo, o Instituto de Medicina Legal autopsiou 884 vítimas de acidentes, enquanto o relatório da ANSR aponta 737 mortos - uma diferença de 19,9%.


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