O presidente da conferência episcopal alemã, arcebispo Robert Zollitsch, encobriu alegadamente abusos sexuais de um sacerdote em 1992, quando era chefe de pessoal da diocese de Freiburg, revelou hoje o magazine Report Mainz, da televisão pública ARD.
Zollitsch é acusado de se ter pronunciado contra a divulgação dos abusos sexuais na paróquia onde aconteceram, em Oberharmersbach (Freiburgo), alegando que “a vingança posterior não ajudaria ninguém, e impeliria uma pessoa para a ruína ou a morte”, referiu o magazine, que se baseou em duas cartas escritas pelo prelado.
Na altura, o sacerdote admitiu as acusações de abusos sexuais de menores, pedindo desculpas, e Zollitsch não viu motivos para denunciar o caso ao Ministério Público, como o próprio arcebispo disse hoje, em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine.
“Reconheço que foi errado não ter acionado o Ministério Público, à luz do que sabemos hoje, devíamos ter sido mais firmes, e ter procurado saber se houve mais vítimas”, afirmou o presidente da conferência episcopal.
“Não quisemos, no entanto impelir o sacerdote para o suicídio, risco que ele corria”, justificou Zollitsch.
Apesar da entrevista de Zollitsch, a diocese de Freiburgo, em comunicado à imprensa, afirmou que as acusações contra o arcebispo “nem são novas nem são justificadas”, lembrando que o próprio já as tinha repudiado em março.
Na sexta-feira, a bispa luterana de Hamburgo e Luebeck, Maria Jepsen, demitiu-se na sequência de acusações de ter alegadamente dado cobertura a um pastor que cometeu abusos sexuais sobre menores, entretanto prescritos à luz da lei.
Em maio, o papa Bento XVI aceitou a resignação do arcebispo de Ausgburgo e das forças armadas, Walter Mixa, acusado de maltratar crianças de uma escola católica e de ter desviado donativos para um orfanato para comprar obras de arte para a diocese.
Depois das primeiras revelações sobre abusos sexuais em instituições da Igreja católica, mas também em escolas protestantes e laicas, a delegada nomeada pelo governo alemão para acompanhar a situação e propor medidas legislativas, Christinne Bergmann, disse já ter recebido mais de mil queixas de vítimas.
A conferência episcopal alemã, no sínodo da primavera, em junho, comprometeu-se a colaborar mais estreitamente com a justiça, e a punir e denunciar prontamente casos de abusos sexuais nas suas instituições.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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