Mulher bispo pode ser cúmplice de abusos sexuais de menores
por Maria Catarina Nunes, Publicado em 17 de Julho de 2010
Maria Jepsen foi eleita bispo em 1992. À data já conhecia casos de pedofilia, mas não os divulgou
Maria Jepsen não é apenas a primeira mulher bispo luterana. Maria Jepsen é também acusada de esconder casos de abuso sexual de menores, praticados por um sacerdote alemão na década de 1980. Na sequência destas divulgações, a ex-mulher bispo nega as acusações e afirma que não teve conhecimento do crime até Maio deste ano. Porém, anunciou ontem que vai abandonar o cargo. "A minha credibilidade foi posta em questão", disse. "Assim sendo, sinto que não tenho condições para fazer um bom trabalho."
Foi em 1992 que Jepsen foi eleita mulher bispo de Hamburgo, o primeiro elemento do sexo feminino no mundo a ocupar um cargo destes na Igreja Luterana.
Passados 18 anos, em Maio último, Maria Jepsen foi acusada de ocultar o crime de pedofilia cometido pelo sacerdote Dieter K., em Ahrensburg, no Norte da Alemanha. A denúncia foi feita por uma antiga colaboradora e irmã de um dos uns menores envolvidos. Jepsen terá transferido o sacerdote para um reformatório em Schleswig, onde trabalhou como professor de Religião numa escola local, sem que os colegas e directores tivessem sido informados do crime de pedofilia de que é acusado.
No entanto, a antiga mulher bispo exprime o desejo de ver o caso resolvido: "Espero que estes casos, em Ahrensburg e em qualquer sítio, vão ser bem investigados e a verdade seja conhecida."
São vários os escândalos sexuais que têm preocupado a Igreja germânica nos últimos tempos. Em poucos meses, Maria Jepsen é o terceiro bispo a resignar ao cargo na Alemanha. Primeiro, em Abril, foi o bispo Walter Mixa que abandonou a posição depois de ser acusado de espancar crianças. Margot Kaesmann, da Igreja Protestante, seguiu- -lhe os passos, quando foi apanhado pela polícia a conduzir sob o efeito de álcool.
Os crimes de abusos relacionados com a Igreja não ficam pela Alemanha. São conhecidos casos, divulgados recentemente, de pedofilia praticados por padres católicos em diferentes países. O Vaticano foi também acusado, mas por não saber lidar com os acontecimentos aberta e propriamente. O próprio Papa Bento XVI foi mencionado como fazendo parte de uma cultura de secretismo, e de não tomar as devidas medidas contra os padres pedófilos - a sua função como patriarca de Roma.
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