Moradores e antigos utilizadores da Feira Popular queixam-se do abandono daquele espaço e do "corrupio de prostituição" que ali, há três anos, se vive, lembrando com saudade o "bom ambiente" que as diversões traziam a Lisboa.
A Feira Popular funcionou em Entrecampos até outubro de 2003, depois de a Câmara de Lisboa, liderada na altura por Santana Lopes (PSD), ter aprovado em julho, com a empresa Bragaparques, uma permuta entre aquele terreno e o Parque Mayer.
Hoje, quase sete anos depois, os vizinhos da Feira Popular lamentam que o espaço tenha sido deixado ao abandono e que todos os dias o espaço sirva para “prostituição”.
Anabela Borges, moradora com vista para os terrenos da Feira Popular desde 1971, diz que a situação é “uma vergonha”.
“Entram junto à linha de comboio e vão ocupando as [três] casinhas que ficaram por demolir, até chegarem ao antigo teatro Vasco Santana”, descreve.
A vista do apartamento de Anabela Borges, que antigamente mostrava uma feira cheia de luzes e de pessoas a divertirem-se durante a noite, mudou radicalmente: “Estamos aqui e não podemos chegar à janela, nem estar a vontade. Temos de fechar as cortinas. É lamentável”, queixa-se.
Também Madalena, porteira de prédios de Entrecampos há 23 anos, teme pela neta, mais nova, com oito anos e conta que são “às dezenas” os homens que andam “num corrupio” nos terrenos da antiga Feira Popular.
Mas Madalena lamenta também que este espaço esteja "entregue à bicharada e ao lixo".
“Tivemos vizinhos com as casas cheias de ratos. Nunca tínhamos moscas nem melgas em casa e agora é impossível ter as janelas abertas ou estar na varanda. As pessoas veem o portão aberto da Feira e, com preguiça de ir até ao eco ponto, deixam o lixo ali”, descreve.
Dantes, recordam, “era uma animação para mim, que podia ir ter com os meus amigos, porque os meus pais ficavam a ver da janela”, recorda Anabela Borges.
“Claro que as pessoas se queixavam do barulho e do cheiro a sardinha assada, mas era sempre muito melhor do que este porcaria de hoje”, desabafa.
As vizinhas da Feira Popular afirmam que os moradores de Entrecampos, e mesmo o Hotel Villa Rica, que também tem vista para o terreno da Feira Popular fizeram várias queixas à PSP.
No entanto, as entidades "não fizeram nada", "chutaram responsabilidades uns para os outros" e disseram que “o espaço é terra de ninguém”.
Dada a falta de respostas das autoridades, Anabela Borges sugere que se "deitem abaixo os imóveis que ficaram de pé, que se coloque um produto que queime os arbustos e que se tape tudo à volta com tapumes, como fizeram do lado da Avenida da República".
“Se era para demolir tinham arrasado com tudo mesmo de início e não deixavam as estruturas que deixaram. Isto está muito mau e muito feio. Queríamos antes 10 vezes a feira popular para aqui”, conclui.
Na segunda feira, o Tribunal Administrativo de Lisboa anulou a permuta acordada entre a Câmara de Lisboa e a Bragaparques, voltando a Feira Popular a pertencer à autarquia e o Parque Mayer à empresa, que, entretanto, afirmou vir a recorrer da sentença.
Contactada pela Lusa, a PSP confirma as queixas, mas informa que o espaço em apreço é privado e que, por isso, não tem competências para atuar no seu interior.
A autoridade afirma-se “atenta ao problema” e diz que efetua patrulhamento na zona “sempre que possível”, informando os responsáveis pelo recinto sempre que a vedação está danificada.




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