Surf
Jeffreys Bay. O Saca joga onde Ronaldo perdeu o juízo
por Filipe Duarte Santos, Publicado em 15 de Julho de 2010
Tiago Pires, o surfista que sofre com o Benfica e com a selecção, tem a sua oportunidade na África do Sul. Parko cortou o pé, está de fora
O Mundial chega à África do Sul, há um português em prova e a garantia de que não será eliminado por nenhum espanhol. Futebol? Claro que não, só podemos estar a falar de surf e do Billabong Pro que hoje arranca em Jeffreys Bay (a uns 600 km da Cidade do Cabo), para a quarta etapa de um campeonato em que Tiago Pires se apresenta com o 20.o lugar do ranking e onde não existe qualquer "hermano". Olé!
Mas continuemos a misturar bolas com água e pranchas. O Saca da Ericeira, benfiquista apaixonado, é daqueles rapazes que não gostam de perder por nada. E é dos que têm o coração na boca quando sentem que nem tudo fica no campo. Veja o que ele escreveu no Facebook depois da eliminação de Portugal do Mundial (na Cidade do Cabo). "Parabéns Espanha! Não nos deram hipótese! Espero que o Ronaldo ganhe juízo e jogue alguma coisa pelo seu país! Eduardo é o homem! O verdadeiro guerreiro português! É altura de voltar ao meu desporto e deixar estes rapazes ricos e sem juízo em paz!!" Ok, passaram duas semanas, entretanto Ronaldo está de férias no Algarve a fintar os jornalistas do filho, Tiago Pires pode voltar às suas ondas (na primeira eliminatória surfa contra o brasileiro Adriano de Souza), aquelas que por estes dias são as que quebram no recife de lava de Jeffreys Bay, talvez a melhor direita do mundo, longa, às vezes tubular. Não se sabe se o surf interessa alguma coisa a Ronaldo (é mais rapaz de iate, sunga e peito depilado ao Sol) mas desta vez a fiscalização está invertida. Com previsão de espectáculo: tempestade e ondas acima do normal.
J-Bay tem tudo. Tem história, desde os que boicotaram a prova, devido ao apartheid, aos que lá ganharam e encontraram inspiração para o nome dos filhos (ver ao lado). Desta vez só não tem Joel Parkinson, o campeão do ano passado que há duas semanas sofreu um acidente impressionante: caiu da prancha e uma quilha quase lhe amputou o calcanhar do pé direito. Foi ainda mais estranho porque Parko treinava em Snapper Rocks (Austrália), à porta de casa. Agora, em vez de embarcar para a África do Sul ficou a recuperar da operação em que lhe reconstruíram tendões e tecido muscular, falhando uma das suas ondas preferidas - ganhou em 1999, quando tinha 18 anos, na primeira vez que lá competiu a sério; duas semanas antes, acordou durante a noite, foi espreitar o mar e quando apareceram os primeiros raios de Sol entrou na água para treinar. Só isso. No ano passado, Joel Parkinson ganhou igualmente em Snapper Rocks (terceira vitória no início da época) e toda a gente o imaginava campeão. Depois voltou a lesionar-se num treino na Indonésia e perdeu o título para o amigo Mick Fanning. À falta de Parkinson, há sempre um Kelly Slater para centrar as atenções. O norte-americano é recordista de tudo, portanto também tinha de ser um dos favoritos na África do Sul. Aos 39 anos, chega a Jeffreys Bay na liderança do circuito mundial e com os olhos no décimo título da carreira. Se calhar nem isso interessa a Ronaldo.
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