BE contesta na AR cortes nas bolsas de estudo

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 13 de Julho de 2010   
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Francisco Louçã afirmou hoje no Porto que o Bloco de Esquerda vai tentar “impor” quarta feira na Assembleia da República um regulamento que proteja os estudantes pobres dos cortes nas bolsas de estudo decididos pelo Governo.

“O BE vai discutir com o ministro Mariano Gago amanhã [quarta feira] no parlamento, para procurarmos impor um regulamento e uma mudança que permita proteger os estudantes mais pobres”, disse à agência Lusa Francisco Louçã, no final de uma reunião com o administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade do Porto, João Carvalho.

O líder do BE considerou a atribuição de bolsas de estudo “uma decisão estratégica”, porque, em sua opinião, “o país perde se estes estudantes ficarem de fora e ganha se puderem fazer os seus cursos”.

“Esta reunião revelou as dificuldades enormes que há face a uma lei aprovada recentemente pelo Governo de José Sócrates que impõe uma redução drástica das bolsas para os estudantes mais pobres”, referiu.

Francisco Louçã realçou que, “com esta lei, há cerca de 20 mil estudantes pobres que são excluídos da bolsa”.

“A maioria recebia uma bolsa de 100 euros por mês, 10 meses por ano, que lhes permitia pagar as propinas e não ter sequer um tostão mais””, recordou.

O dirigente do BE sublinhou que, pelas contas da Universidade do Porto, “os que ainda ficam têm o valor da bolsa muito reduzido, cerca de 60 por cento”.

“Isto conduz a um situação que já era grave antes. Há um estudo da Universidade de Lisboa que diz que cerca de um terço dos estudantes pobres teve de sair dos estudos universitários”, salientou.

Francisco Louçã considerou que, com os cortes nas bolsas de estudo, o Governo está a promover um “apartheid social”.

“Se isto continuar com este agravamento, então teremos mais estudantes pobres excluídos do ensino. É exatamente o contrário do que precisamos”, frisou.

O líder criticou também o que classificou como uma “confusão burocrática” criada pelo Governo, ao legislar sem regulamentar os novos critérios de acesso às bolsas.

Segundo Francisco Louçã, “as bolsas só serão pagas em finais de dezembro”, quando o ano letivo começa em setembro.

FZ.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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