Benfica
Jesus está nas mãos de Roberto
Publicado em 13 de Julho de 2010
Depois de construir o Benfica, ao sexto dia Jesus não pode descansar. Tem de fazer um guarda-redes
Um frango tem um peso diferente consoante o clube ou o jogo, consoante o nome ou o preço do jogador. E o preço de Roberto - 8,5 milhões de euros - faz toda a diferença na análise dos golos sofridos pelo Benfica no particular com o Sion, porque o que parecia estar na baliza não era o oitavo guarda-redes mais caro da história do futebol, mas antes o mais inexperiente e desenquadrado guardião deste mundo. Depois da derrota (2-1), Jorge Jesus encarregou-se logo de defender o espanhol - ainda não está enquadrado nas movimentações da equipa; de resto a Jabulani sempre serve para alguma coisa, nem que seja para desculpas - e percebeu que no imediato está ali a seu maior desafio: defender Roberto da pressão e ganhar tempo para o tornar um titular ao nível do Benfica.
Jesus ficou com a baliza nas mãos assim que começou a dispensar Quim, no final da época passada. O internacional português é daqueles que não aquecem nem arrefecem, mas entre um ou outro frango conseguiu ser jogador de equipa campeã. Jesus empurrou-o para fora da Luz e apaixonou-se pela solução espanhola, Roberto, convencendo-se de que naquele metro e 93 centímetros de gente está o gigante que pode finalmente fechar a mais difícil baliza do país (Bossio, Moreira, Moretto, Butt...). O treinador viu as exibições da época passada no Saragoça (onde jogava emprestado) e convenceu a SAD a investir 8,5 milhões de euros naquele que, no início do ano, era o terceiro guarda-redes do Atlético Madrid. Antes de voltar a Madrid, Roberto já de lá tinha saído, mas como moeda de troca por Pongolle, quando os colchoneros contrataram o actual avançado do Sporting ao Recreativo. No fundo é um jovem com potencial e 47 jogos na principal Liga Espanhola. E a dar frangos desta maneira pode ser o principal argumento contra as escolhas de Jesus, um treinador que chegou a dizer à RTP que gostava de contratar Eduardo (o internacional português que explodiu na África do Sul), mas que o negócio não poderia realizar-se porque era "difícil". Ora Eduardo tinha uma cláusula de rescisão de 4 milhões e foi parar a Génova por pouco mais do que isso - 4,5 milhões de euros por 75 por cento do passe.
Hoje, quando o Benfica entrar em campo com o Aris Salónica, no terceiro jogo da pré-temporada, os olhares estarão todos em Roberto, o guardião que custou tanto como Cech valeu ao Rennes (em 2004). Ao sexto dia de trabalho no estágio da Suíça, ontem, Jesus tem uma equipa construída mas não pode descansar. Tem de fazer um guarda-redes (se calhar à imagem de Valdés, porque Jesus diz que não gosta do estilo de... Casillas).
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