Ciclismo

Tour: velhos são os trapos. E Lance Armstrong. Por causa das quedas

por Rui Pedro Silva, Publicado em 13 de Julho de 2010   
O americano garantiu que ia para vencer mas quedas sucessivas nas primeiras etapas deixaram-no de fora
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"Na quarta-feira, 2 de Outubro de 1996, fui diagnosticado com um cancro testicular. Os exames demonstraram que o tumor espalhou-se para o abdómen. Por agora, pretendo concentrar-me no tratamento, mas quero que todos saibam que pretendo vencer esta doença e continuar a competir como ciclista profissional". As palavras emocionadas de Lance Armstrong tornaram-se uma imagem de marca: o norte-americano não brinca com o que diz.

Menos de três anos depois, em 1999, ganhou a primeira de sete Voltas a França consecutivas. Alheio a polémicas, apesar da relação conflituosa com os organizadores do Tour, Lance continuou a fazer história, vestindo o papel de herói que ultrapassou uma doença para tornar-se num dos heróis do desporto. Depois de vencer a sétima prova, em 2005, Lance retirou-se para se dedicar mais à luta contra o cancro.

Mais uma vez, decidiu regressar. Desta vez, as palavras eternizadas num anúncio eram diferentes. "Os críticos dizem que sou arrogante. O doping, a fraude... eles podem dizer o que quiserem. Não é por eles que volto", disse, fazendo do regresso uma luta contra o cancro.

No ano passado, no regresso ao Tour, percebeu-se que Lance Armstrong já não era o mesmo super-herói que subia as montanhas mais altas do Tour como se estivesse num parque de diversões. A idade pesa a toda a gente e ninguém é eterno. Para este ano, Lance Armstrong voltou a ter uma equipa criada para ele, a pensar num triunfo. Ou seja, sem o ruído criado por Alberto Contador, o grande rival na Astana em 2009. À falta de Contador, Armstrong teve um adversário impossível de contrariar: as quedas.

O pesadelo começou logo na segunda etapa. "É verdade que caí, mas hoje toda a gente do pelotão caiu. Tive muito medo ao ver quedas atrás de quedas", afirmou. Uma semana depois, novo pesadelo. Na primeira etapa de montanha a sério no Tour, Lance Armstrong despediu-se da possibilidade de chegar ao oitavo título: "Terminou para mim, mas posso continuar na corrida, a ajudar a equipa a vencer etapas e aproveitar ao máximo a minha presença aqui."

Não parece o mesmo Armstrong de outros tempos, mas pouco havia a fazer. No domingo, chegou a 11m45 de Andy Schleck. O olhar, habitualmente impenetrável, tinha-se tornado em olhos resignados, conformados com o que tinha acabado de acontecer. Foi parado por duas quedas à frente dele e caiu numa outra ocasião quando ia a mais de 65 quilómetros por hora: "Apenas azar na pior altura. Não havia grande coisa que pudesse fazer."

Pouco tempo depois, começaram a surgir as primeiras visões dos críticos. Uns dizem que nunca devia ter regressado sabendo que já não é o mesmo, outros garantem que estas quedas foi o melhor que lhe podia ter acontecido porque lhe dão uma boa desculpa para não conseguir acompanhar os restantes favoritos.


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