Hospitais não fazem contrato aos novos médicos especialistas
por Rosa Ramos, Publicado em 12 de Julho de 2010
Ministério quer poupar 50 milhões de euros no Serviço Nacional de Saúde até ao final do ano
Os hospitais estão a contratar médicos recém-especializados como prestadores de serviços, "apesar de existirem vagas para serem integrados no Sistema Nacional de Saúde (SNS)", acusa a Federação Nacional dos Médicos. Estarão nesta situação, garante o dirigente sindical Sérgio Esperança, "20% a 30%" dos médicos que terminaram o internato de especialidade desde Fevereiro. "E a situação manter-se-á, segundo as administrações, até pelo menos ao final do ano", sublinha.
A situação agrava-se com o pedido de reforma antecipada de 500 médicos, só desde o início do ano, e com a aplicação das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para poupar, até Dezembro, 50 milhões de euros. "O recurso à prestação de serviços é uma engenharia financeira que permite diminuir a verba com gastos de pessoal, apesar de na prática sair mais caro, porque os pagamentos são feitos à peça e à hora", acusa a Federação.
Também para cortar nas despesas, as administrações regionais de saúde, nomeadamente a do Centro, estarão "a fazer contratos de 35 horas semanais", quando o previsto seriam 40 horas. O Conselho Nacional do Médico Interno denuncia que os especialistas em Medicina Geral estão a ser contratados pelas Administrações Regionais de Saúde, mas são colocados em locais longínquos e pagos "abaixo da tabela".
A quase totalidade dos hospitais já entregou ao ministério o plano de redução de despesas, que inclui baixar pelo menos 5% os gastos com horas extraordinárias. O prazo para a entrega termina hoje.
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