A Europa ganha se mecanismos como a golden-share não forem usados pelos governos, defendeu ontem Pedro Passos Coelho em entrevista ao “El Mundo”.
O líder do PSD garantiu ao jornal espanhol que a golden-share não deveria ter sido usada “porque a economia precisa de confiança”. Confiança que, sublinhou, não se gera “quando os estados interferem em decisões de empresas que não lhe pertencem”. E não por uma questão de nacionalismo, acrescentou. “O que é preciso saber é se queremos que os Estados entreguem aos governos poderes especiais de intervenção nas empresas privatizadas. A Europa ganha se este mecanismo não for usado”, defendeu, apesar de reconhecer que a participação da Portugal Telecom “é importante e seria preferível que os seus accionistas não a alienassem”.
O líder do PSD - apresentado pelo jornal como “um gentlemen” eleito pela oposição para substituir “a sua dama de ferro” - distanciou-se do discurso de Manuela Ferreira Leite, que em 2009 defendeu que Portugal não é uma província de Espanha. “Podemos ajudar-nos mutuamente a crescer”, garantiu Passos Coelho, antes de explicar que é preciso que a Europa olhe para fora de si mesma para ultrapassar a crise económica.
“Temos que nos habituar a uma era em que os intercâmbios comerciais já não são exclusivos entre o continente americano e o europeu”, sublinhou.
O líder social-democrata - que justificou o apoio ao plano de auteridade do governo como uma medida “indipensável para recuperar a credibilidade e a reputação das finanças públicas” - apelou à necessidade de “não se sacrificar o crescimento a médio e longo prazo para defender um modelo social que hoje em dia gera muito desemprego e impostos mais elevados”.




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