O diretor geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, escusou-se hoje a qualificar o comunicado do ministério da Cultura relativo ao seu pedido de demissão, reiterando que em 2010 foi “com grande dificuldade” que conseguiu trabalhar.
Em comunicado, o ministério da Cultura manifestou hoje "grande satisfação" pelo facto do diretor geral das Artes ter apresentado a demissão, sublinhando a "ineficácia" e as "dificuldades" de Jorge Barreto Xavier no desempenho do cargo.
“O teor, o conteúdo e o modo como o comunicado está feito fala por si, portanto não o quero qualificar porque acho que ele já se qualifica a si próprio”, disse à Lusa o diretor geral das Artes demissionário.
Barreto Xavier garante assim ter tido oportunidade de desenvolver em 2008 e 2009 a sua missão “com tranquilidade”, mas diz que “foi com grande dificuldade que em 2010, devido a um conjunto de circunstâncias, foi possível trabalhar”.
Num comunicado enviado à Lusa, António Barreto Xavier explicou que em 2008 e 2009 foram lançados novos modelos de concursos de apoio às artes, em melhores condições e com um aumento dos montantes disponíveis.
“Pela primeira vez, a área das artes visuais passou a ter apoio regular, assim como foram abertos os apoios anuais e dois programas de apoio semestrais”, exemplifica, referindo ainda o lançamento em 2009 do Programa Inov-Art, que "é hoje referência internacional na promoção da qualificação dos profissionais da cultura".
“O cumprimento e superação de objetivos na avaliação do desempenho da DGArtes, foi reconhecido em 2008 pelo anterior ministro da Cultura, e em 2009 pela atual ministra”, sublinha.
Já em 2010, acrescenta, “a actividade da Direcção-Geral das Artes foi, por diversas vezes, dificultada e atrasada pela atual ministra”.
“No âmbito do aconselhamento sobre as políticas de apoio às artes, pude alertar, reiteradamente, para as consequências das opções políticas em curso”, lê-se no documento, onde Barreto Xavier acrescenta que, apesar de estar solidário com as dificuldades do país e do ministério, apresentou “propostas de redução das actividades próprias da Direcção-Geral, sem, todavia, tocar nos compromissos assumidos”.
“Considero que as necessidades de contenção, devem ser pensadas em relação ao presente e ao futuro numa ótica de poupança mas não de destruição do tecido cultural”, refere.
“Se o Estado não cumpre os compromissos assumidos com terceiros, como exigir o mesmo ao sector privado? E como garantir, no futuro, que qualquer entidade que assuma compromissos com agentes culturais não venha depois a dar o dito por não dito invocando, nomeadamente, o exemplo do Estado”, questiona.
*** Texto escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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