Internacional

Cuba liberta 52 presos políticos e Fariñas desiste de morrer

por Marta F. Reis, Publicado em 09 de Julho de 2010   
Decisão do presidente Raúl Castro anuncia mudança histórica? Número de presos políticos em Cuba cai para mínimo histórico
Opções
a- / a+
Tem sido a Igreja Católica a dar a cara: quarta-feira anunciou a libertação de 52 presos políticos, todos do grupo de 75 dissidentes condenados a penas de prisão até 28 anos após a Primavera Negra de 2003. Ontem anunciou que outros seis seriam transferidos para prisões perto de casa. Destes já se sabem os nomes, mas dos cinco que vão partir para Espanha - símbolo da importância do papel do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros nas negociações - e dos 47 que serão libertados nos próximos quatro meses ainda não há lista oficial. Na edição online do "Granma", órgão oficial do regime cubano, não há qualquer referência à decisão.

O presidente Raúl Castro ainda não falou, mas a comunidade internacional, que teve uma reacção cautelosa ao novo rosto dialogante de Havana, que aliviará em duas décadas as penas dos dissidentes, começa a transformar-se em sinal de confiança.

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton considerou que se tratou de uma "boa notícia". E Catherine Ashton, alta representante para a Política Externa da UE, sublinhou a disponibilidade europeia para mediar o diálogo. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros falou de uma "etapa importante" para os direitos humanos. Se em Cuba a voz da mudança é o cardeal Jaime Ortega, o bom mediador é o ministro espanhol Miguel Ángel Moratinos, que esta semana se reuniu em Havana durante seis horas com o presidente cubano e o responsável máximo da Igreja Católica, encontro em que terá sido tomada a decisão.

A batalha era pessoal, e uma das bandeiras erguidas no final da presidência espanhola da UE no primeiro semestre do ano. Em Junho, na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE - que por regra se debruça sobre a posição comum adoptada há 14 anos por proposta de Aznar e que limita os vínculos à ilha -, Moratinos pediu que o tema fosse, excepcionalmente, retomado em Setembro. Garantiu que "entretanto haverá avanços significativos." No final da reunião, Moratinos estava exultante, afirma o "El País" em Havana: "Abre-se uma nova etapa em Cuba com o desejo de encerrar a questão dos presos. Agora não há nenhuma razão para manter a posição comum."

A visão optimista de Moratinos não é geral, mas até Laura Pollán, líder do grupo de dissidentes Damas de Branco, está de acordo: "Acredito que estamos às portas da mudança. Serão os primeiros passos para a verdadeira liberdade e democracia". Esta semana a Comissão Cubana para os Direitos Humanos actualizou o número de presos políticos para 167, o mais baixo desde a revolução. Permanecem ainda cerca de 100 detidos, e dez em liberdade condicional. "São óptimas notícias e mostram que o compromisso dá mais frutos que 50 anos de embargo", disse à Reuters Sara Stephens, directora do Centro para a Democracia nas Américas. É também a opinião de Moratinos. Até Guillermos Fariñas, herói da oposição ao regime, pôs fim à greve de fome de 135 dias que o deixou à beira da morte.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close