O presidente da Comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros, José Ribeiro e Castro, e o diretor da Amnistia Internacional – Portugal, Pedro Krupenski, reagiram hoje com satisfação, embora com reservas, à notícia da libertação de 52 presos políticos cubanos.
“É um gesto significativo das autoridades cubanas que eu quero saudar, aplaudir e desejar que se concretize o mais depressa possível”, declarou à agência Lusa Ribeiro e Castro, enquanto Krupenski indicou que “a Amnistia encara esta notícia com alguma satisfação”.
Os responsáveis comentavam o anúncio da Igreja Católica de Cuba, na quarta-feira, de que o governo cubano vai libertar 52 presos políticos, cinco deles nas horas seguintes ao anúncio e os restantes 47 num período de três a quatro meses.
No entanto, ambos exprimiram reservas em relação à notícia, considerando Ribeiro e Castro que algumas das pessoas em causa “não regressam à liberdade, são forçadas muitas delas ao exílio”.
O deputado assinalou também que “ficarão ainda por libertar entre 115 a 120 presos políticos, segundo as estimativas das organizações internacionais e dos direitos humanos”.
“Foi anunciada a libertação e só quatro (presos) é que já foram libertados e os restantes serão nos próximos meses e não sei se eventualmente haverá um retrocesso”, disse Krupenski, precisando as “reticências” da AI.
Segundo este ativista dos direitos humanos, entre os presos a libertar “estão quase todos” aqueles cuja libertação é exigida pelo dissidente Guillermo Farinas, em greve de fome há mais de quatro meses.
“(Farinas) Ainda não abandonou (greve de fome) justamente porque, como nós, ainda não está totalmente seguro (…) de que o anúncio vai ser efetivamente cumprido”, disse Krupenski.
As reservas em relação à evolução da situação levam igualmente o diretor da AI-Portugal a considerar que “seria sensato se (a União Europeia) esperasse para ver (antes de alterar a posição comum em relação a Cuba)”.
Igualmente questionado sobre se a UE devia considerar uma alteração da sua posição comum em relação a Havana na sequência desta decisão do governo cubano, Ribeiro e Castro respondeu: “Eu creio que não. Só com isto não”.
O deputado salientou que a política da UE em relação a Cuba “é completamente diferente da norte-americana”, que mantém um embargo à ilha há mais de quatro décadas.
“A posição da UE sempre foi de diálogo, mas de diálogo afirmativo (…), é uma política de ação afirmativa relativamente a Cuba e que tem uma sinalização positiva de tudo o que sejam passos no sentido da democracia, da abertura, do respeito dos direitos humanos. E deve continuar”, adiantou.
Na sequência da decisão anunciada quarta-feira, Ribeiro e Castro apelou às autoridades cubanas para autorizarem “finalmente as ‘Damas de branco’ a virem à Europa receber o prémio Sakharov 2005 (atribuído pelo Parlamento Europeu)”.
As “Damas de Branco” são familiares de dissidentes detidos em 2003, durante a designada “Primavera Negra”, que desde essa altura se manifestam pela sua libertação. Entre os 52 presos políticos que o governo cubano prometeu agora libertar estão muitos daqueles dissidentes.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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