O presidente da fábrica de conservas Ramirez admitiu hoje à Lusa a possibilidade de importar sardinha de Marrocos para ultrapassar a falta de abastecimento, que pode levar à paragem das unidades de produção.
“A paragem é uma ameaça real que pesa sobre a indústria”, disse hoje à Lusa Manuel Ramirez, acrescentando estar a ponderar “recorrer à importação de sardinha congelada de Marrocos” já que a fábrica necessita de cerca de 40 toneladas diárias de sardinha.
Como a Lusa noticiou, as conserveiras e a Propeixe – Cooperativa de Produtores de Peixe do Norte não assinaram o habitual contrato de abastecimento de sardinha, o que, segundo os industriais, pode levar as fábricas de conservas.
“Há risco das fábricas pararem, uma vez que este ano não se chegou a acordo com a Organização de Produtores de Matosinhos e de Viana do Castelo, que apresentou uma proposta que as fábricas de conservas não podem aceitar”, denunciou a Associação Nacional dos Industriais de conservas de Peixe.
O presidente da Ramirez considera “a situação muito grave”, porque desde novembro a fábrica de Matosinhos não é abastecida e gastou a que tinha congelada, rejeitando a possibilidade de comprar em lota uma vez que, acrescentou, “aos preços atuais era para morrer”.
Em contrapartida, o empresário põe a hipótese de “abastecer de peixe congelado em Marrocos” para não ter que parar a produção, o que levaria a problemas de abastecimento em Portugal e nos países para onde exporta.
“As cadeias de distribuição em Portugal e nos países estrangeiros não admitem ruturas e vão procurar uma alternativa”, defendeu, referindo a possibilidade de abastecer-se em Marrocos, que “não faz sentido por o erário público ainda mais sobrecarregado com exportações para podermos sobreviver”.
Manuel Ramirez já chamou a atenção da Direção Geral das Pescas para fazer valer “bom senso e não o oportunismo de um certo momento”, considerando a hipótese de a indústria conserveira ter – como já aconteceu no passado – barcos para se autoabastecer e não estar dependente de terceiros.
Reagindo aos industriais, o presidente da Propeixe considerou que “as conserveiras estão a ser alarmistas porque podem abastecer-se em lota”, acrescentando que os produtores não puderam aceitar a proposta da indústria porque “não há um aumento do preço [da sardinha] há três ou quatro anos”.
“Não conseguir chegar a acordo não é a morte de ninguém”, afirmou Agostinho da Mata, referindo que “a situação nem sequer é inédita”.
A discórdia resulta da quantidade de sardinha que os pescadores reivindicam para vender no mercado – 250 cabazes em vez dos 150 dos anos anteriores – e do preço do cabaz de sardinha (22,5 quilogramas) por que os pescadores querem receber 11 euros e os industriais querem pagar 10,12 euros.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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