Adesão

Islândia pode entrar na União Europeia? Sim se...

por Gonçalo Venâncio, em Estrasburgo, Publicado em 08 de Julho de 2010   
... os islandeses acabarem com a pesca da baleia e pagarem o que devem a britânicos e holandeses. E, já agora, se os islandeses quiserem
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Está dada a luz verde do Parlamento Europeu para a candidatura da Islândia à União Europeia. Mas o processo de adesão da ilha que esteve à beira da bancarrota em 2008 não será totalmente pacífico. A disputa diplomática que se seguiu à falência do grupo Landsbanki, que opõe a Islândia, de um lado, ao Reino Unido e à Holanda, do outro, promete dificultar o processo. David Cameron, o primeiro-ministro britânico, no próprio dia (17 de Junho) em que o Conselho Europeu anunciou o início das negociações - a que o Parlamento ontem deu apoio político - avisou que o Reino Unido poderia vetar a entrada da Islândia no bloco europeu se o país não cumprisse as suas obrigações. Neste caso, leia- -se, o pagamento de uma dívida no valor de 3,4 mil milhões de euros resultante da queda do Icesave, grupo Landsbanki - Londres e Haia tiveram de assumir o lugar de Reiquiavique no sistema de garantia de depósitos para não deixar 400 mil pessoas de mãos a abanar.

Bruxelas acredita que esta é uma questão que deve ser resolvida no "plano bilateral", mas não deixa de convidar a Islândia a "corrigir as debilidades institucionais fundamentais da sua economia, nomeadamente a organização e o funcionamento do sistema de supervisão financeira e o sistema de garantia dos depósitos".

A primeira-ministra de centro-esquerda, Johanna Sigurdardottir, tenta ultrapassar o diferendo e voltou este mês à mesa das negociações com britânicos e holandeses, quatro meses depois do polémico referendo em que 93% dos islandeses disseram "não" ao pagamento da dívida. Por mais que Khristyan Loftsson, milionário islandês e rei dos baleeiros, diga que "as baleias são apenas mais um peixe", o Parlamento Europeu não se convence. Por isso os eurodeputados exigem, na resolução ontem apresentada, que as autoridades islandesas ponham fim a todas as actividades ligadas à pesca da baleia, um negócio rentável a nível nacional.

Mas não é só Bruxelas a fazer exigências, adivinhando-se negociações muito duras quando o assunto for política de pescas. A Islândia é a maior nação pesqueira da Europa, um sector de actividade que vale 40% das exportações do país e 12% do produto interno bruto. Em Reiquiavique, a política de pescas da União é vista como desastrosa pelas lideranças políticas e pela opinião pública. A propósito, ainda ninguém perguntou aos islandeses se eles querem pertencer ao clube e, como notam vários analistas, o sentimento anti-Bruxelas tem vindo a crescer praticamente desde o dia em que o país apresentou a sua candidatura, ainda em 2009. De acordo com uma sondagem recente da televisão estatal RUV, 60% dos islandeses não são favoráveis à adesão.

Para lá destes pontos de fricção, a Islândia deverá navegar em águas tranquilas até obter o estatuto de estado-membro. Recorde-se que o país já transporta para a moldura legal doméstica muita legislação europeia, faz parte do mercado interno e do espaço Schengen.


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