Biografia. "Alberto João" para os madeirenses. "Jardim" para os do continente
por Filipa Martins, Publicado em 03 de Julho de 2010
"O Rei da Madeira" é a primeira biografia de João Jardim, escrita sem autorização do próprio
O presidente do Governo Regional foi contactado duas vezes por Maria Henrique Espada e nunca se mostrou disponível para colaborar com a jornalista na biografia. Em resposta ao lançamento do livro, Alberto João apressou-se a responder com um comunicado apelidando algumas das 53 pessoas contactadas pela jornalistas - entre familiares, amigos e adversários - de mentirosas. "Um rol de mentiras e deturpações acintosas, algumas vindas de gente que eu pensava se respeitar", garante. Em causa, alguns detalhes que não gostou de ver tratados. A apresentação está marcada para dia 8 e Maria Henrique Espada terá ao lado Santana Lopes. Como amigos, o ex-ministro pediu autorização a João Jardim para aceitar o convite. "Esperemos que não desista", deseja a jornalista. A infância, a vida boémia, a namorada séria com quem se casou, a chegada ao poder e a quase candidatura à liderança do PSD fazem parte da cronologia do livro.
a criança "Alberto, criança, embora já goste de discursar em cima de cadeiras, está longe de pensar em política. O que ele quer é ser oficial de Marinha ou juiz. Faz a escola primária sem dificuldades, as lições do avô fazem com que entre já a saber ler e escrever."
O PAI "Alberto João tem 11 anos e, à saída da escola, dizem-lhe de chofre: 'O menino sabe, o papá morreu.' Desorientado, enfia-se na padaria do pai, que é perto do liceu, e fica por lá."
O regime "Desde os 13 anos e até deixar a Madeira, Alberto marchará afinado na Mocidade Portuguesa. Com 14 anos comanda colegas de 16 e 17."
Em Lisboa "Em termos académicos, o primeiro ano de Alberto João é, literalmente, um zero. A boémia não lhe dá tempo para ir à faculdade, coisa que, aliás, pressentira desde o primeiro momento, pelo que nem sequer compra os livros."
A namorada "A boémia constante em que Alberto continua a viver só tem um inconveniente: cria-lhe incontáveis problemas com a namorada, Ângela. Ângela tratava de interromper o namoro, com razoável frequência, em função do barulho ou das notícias que lhe chegavam sobre festas e bebida."
as prostitutas "Uma vez, um dos colegas pregou uma partida a Alberto João: pôs-se à porta do quarto a imitar a voz de Ângela. Alberto escondeu como pôde a mulher que o acompanhava e saiu do quarto descalço. Quando percebeu o engano, ficou furioso. Não apenas com a interrupção e com o susto, mas sobretudo por ter saído de pés nus, o que acreditava ele, era receita certa para apanhar uma qualquer doença venérea."
maquiavel e a política "Em Outubro de 1969, assenta praça em Mafra, para o primeiro ciclo do curso de oficiais milicianos. Seria a tropa, curiosamente, a introduzir Alberto às maravilhas da política. Lê, pela primeira vez, 'O Príncipe', de Maquiavel, e 'Da Guerra', de von Clausewitz, e deslumbra-se."
a família "Jardim assenta. Vive com Ângela na casa de dois pisos em que vivera sempre, na Rua Pedro José de Ornelas, comprada com a herança do pai, privilégio de filho único. A filha mais velha, Cláudia, nasce em Agosto de 1970; o segundo filho, Pedro, em Janeiro de 1972."
o ano negro "Num só ano, em 1997, Alberto João Jardim surgiu despido na capa do 'Tal&Qual', foi vaiado no Estádio dos Barreiros, do Marítimo, e usou pela primeira vez a imunidade inerente à qualidade de membro do Conselho de Estado por causa de um processo."
Nu no jornal "Estavam mais quatro ou cinco pessoas na sala, que ajudam Jardim a vestir o fato azul de Rei do Zodíaco. Pratas continua a fotografar. 'Fotografei-o quando ele está sentado, a calçar os sapatos, e é nessa altura que ele diz 'quero que a Assembleia da República se foda'. E fez o gesto, a olhar para cima, com o dedo médio espetado. A foto de Jardim com o dedo espetado é publicada. A de cuecas será a capa do jornal."
a moção "Houve pelo menos um momento em que Jardim acreditou que talvez fosse mesmo possível deixar a Madeira. Para liderar o PSD nacional. Há apenas dois anos, na noite de 23 de Abril de 2008, esteve na sede do partido, em Lisboa, sentado na mesa da presidência do Conselho Nacional. A certa altura, Mendes Bota achou que deveria mostrar a Jardim o que tinha estado a escrever desde o início da reunião: era um projecto de moção, a apresentar de imediato ali, defendendo a candidatura de Alberto João Jardim à liderança do PSD."
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