Bento XVI escolhe ultraconservador para número três do Vaticano

por Renato Lopes, Publicado em 02 de Julho de 2010   
Cardeal Marc Ouellet afirmou publicamente que o aborto é um crime moral, mesmo em caso de violação
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Marco Ouellet substituiu o arcebispo Rino Fisichella num dos mais poderosos cargos do Vaticano - prefeito da Congregação de Bispos. Segundo Ouellet, que até agora era arcebispo do Quebeque e primaz do Canadá, o aborto é errado, mesmo em caso de violação.

O cardeal promete ser polémico e já provocou uma autêntica tempestade de críticas quando, numa conferência antiaborto no Quebeque, Canadá, afirmou que a interrupção de uma gravidez era um crime moral, mesmo em casos de violação. Marco Ouellet considera que a mulher deverá ser ajudada e o violador condenado: "Já há uma vítima. Terá mesmo de haver outra?", disse durante a conferência. Apesar da dua posição, quatro dias depois a assembleia aprovou a resolução que permitiu o aborto às mulheres.

Em 2009, a polémica sobre o aborto em casos de violação foi levado ao extremo no Brasil, com o caso de violação de uma criança de nove anos, pelo padrasto. O arcebispo José Cardoso Sobrinho, do Recife, considerou que a mãe da criança devia ser excomungada por querer que a criança abortasse. Rino Fisichella questionou então a primeira página publicado no jornal oficial do Vaticano, o "L'Osservatore Romano", e afirmou que "antes de pensar na excomungão era necessário e urgente salvaguardar a vida inocente desta criança". Depois de defender a criança brasileira e a sua família, foi substituído como presidente da Academia Pontifical pela Vida. Recentemente, foi recolocado na chefia de um novo departamento responsável por travar a perda de importância da Igreja nas sociedades, principalmente na Europa.

Como prefeito da Congregação de Bispos, Marco Ouellet será responsável por elaborar as listas de padres para o Papa escolher quem se tornará bispo. É por isso que o cargo da prefeitura é considerado o terceiro mais importante na administração do Vaticano; só constando nestas listas será possível progredir na carreira dentro da Igreja.

Na segunda-feira, o Vaticano anunciou ainda que o arcebispo de Viena, o cardeal Christoph Schönborn, foi chamado a Roma depois de acusar outro cardeal de não saber lidar com um escândalo de abuso sexual.

Renato Lopes


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