Bem-estar
Acabaram-se os países felizes
por Marta F. Reis, Publicado em 01 de Julho de 2010
Investigador norte-americano revela factores que influenciam o bem-estar mundial. O dinheiro não compra toda a felicidade, só alguma
Os Estados Unidos são campeões no PIB per capita, mas perdem aos pontos com o México quando se trata de medir os bons sentimentos da população. O Nepal tem os rendimentos no final da tabela, mas no que toca a escapar à tristeza sai--se melhor do que os bem mais ricos Itália ou Holanda. Portugal não entra na avaliação, mas face ao produto nacional o termómetro não está mal de todo, apesar de os últimos dados, de Janeiro, mostrarem que o grau de satisfação tem vindo a diminuir.
Um estudo publicado hoje na revista "Journal of Personality and Social Psychology" usou uma amostra de 136 mil pessoas e 132 países - a primeira amostra representativa da população mundial - para tentar definir o que está por detrás da felicidade. A conclusão é que nenhum país é verdadeiramente feliz: os tipos de bem-estar variam e parece que nenhum consegue, para já, o lugar cimeiro em todos - com uma pequena excepção para a Dinamarca, que em cinco indicadores tem a primeira posição em dois: nível de satisfação com a vida actual e baixo grau de sentimentos negativos.
A análise foi feita com dados de uma sondagem mundial conduzida desde 2005 pela Organização Gallup, sedeada nos Estados Unidos, com cerca de mil inquiridos em cada país. Ed Diener, investigador de psicologia da Universidade de Illinois e um dos autores do estudo, explica que uma das principais conclusões é que os indicadores de felicidade são consistentes em todas as regiões do globo, e que o dinheiro pesa sobretudo na noção de satisfação global, e menos em tudo o que designa por prosperidade social e psicológica. "Descobrimos que o conhecimento e as relações sociais são indicadores gerais de satisfação em todas as culturas", sublinha. Já o dinheiro, sustenta, "não é uma garantia de felicidade, assim como fumar não é uma garantia de desenvolver um cancro - mas aumenta as suas probabilidades", explica. Aqui, uma das conclusões é que a felicidade é proporcional ao rendimento, ou seja, o "retorno que se consegue com um aumento de 10 mil para 14 mil só será idêntico quando a conta passa de 100 mil para 140 mil", exemplifica.
Segundo o estudo, há três grandes termómetros para medir a felicidade: a satisfação com o estado de vida actual, o nível de sentimentos positivos e o de sentimentos negativos. Os investigadores sustentam que indicadores relacionados com rendimento têm maior impacto no primeiro, enquanto a satisfação das necessidades psicológicas é o principal peso na balança dos sentimentos positivos. Já a satisfação das necessidades básicas é o que mais se destaca no campo dos sentimentos negativos.
"Apesar de países como a Dinamarca terem resultados consistentes nas várias medidas, nenhum é o mais feliz em todos", concluem, adiantando que o mais comum é haver alguma amplitude entre medidas. A Costa Rica, exemplo citado no artigo, está nos dez primeiros em termos de prosperidade social e psicológica, mas perde em tudo o que é relacionado com o rendimento. "O dinheiro é necessário, mas a prosperidade social e psicológica têm uma correlação modesta com o de-senvolvimento económico." Terminam com um piscar de olho a uma mudança nas políticas promotoras da felicidade: nem tudo gira à volta da economia.
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