O primeiro ministro nepalês, Madhav Kumar Nepal, anunciou hoje a demissão, alegando que quer pôr fim à crise política na qual o país se encontra há meses.
"Decidi demitir-me do cargo de primeiro ministro para que o processo de paz possa ser concluído, para que uma nova Constituição possa ser elaborada e para que haja uma saída para o atual impasse político", afirmou Madhav Kumar Nepal numa declaração na televisão.
No início de junho, o Partido Maoísta Nepalês acusou-o de "traição" por não ter respeitado o compromisso de deixar as funções para abrir caminho à formação de um novo governo de unidade nacional.
Os parlamentares nepaleses foram eleitos em 2008 para um mandato de dois anos para preparar uma nova Constituição até 28 de maio e virar a página no conflito que opôs os maoístas e o Estado, provocando 16 000 mortos entre 1996 e 2006.
As negociações entre os três principais partidos acabaram num impasse devido a divergências persistentes e a rivalidades entre os vários dirigentes.
A oposição maoísta, que detém o maior número de lugares no parlamento e exige uma nova partilha de poder, advertiu que só concordaria com um prologamento do mandato parlamentar se o primeiro ministro se demitisse.
Os maoístas ganharam as eleições realizadas em abril de 2008, mas o seu governo caiu oito meses depois devido a um desacordo sobre a integração de antigos rebeldes no seio do exército.
Madhav Kumar Nepal, de 57 anos, um antigo líder do Partido Comunista do Nepal, assumiu o cargo de primeiro ministro em maio de 2009. Nos meios políticos há indicações de que o presidente vai pedir-lhe para continuar no cargo a fim de gerir os assuntos correntes até à nomeação de um sucessor.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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