PT/Vivo: indefinição pode prejudicar o futuro da Telefónica

por Cláudia Reis, Publicado em 30 de Junho de 2010   
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A indefinição sobre o controlo da Vivo, com o veto à oferta da Telefónica na assembleia de acionistas da PT, pode prejudicar o futuro da operadora no Brasil, segundo analistas ouvidos pela agência Lusa.

As dificuldades de convivência entre os dois controladores devem aumentar com a recusa da oferta espanhola, que adiou indefinidamente uma provável integração da Vivo com a Telesp, operadora fixa já controlada pela Telefónica.

“A falta de integração pode ser prejudicial para a Vivo se o processo for postergado demais”, disse à Lusa o analista do banco Santander, Valder Nogueira.

O analista salientou que os principais competidores da Vivo, com o grupo do bilionário mexicano Carlos Slim, “já estão a mexer-se”, com a integração entre as operações móvel e fixa no Brasil.

“Com a reestruturação da América Móvil (holding de Slim), o grupo poderá fazer a festa no mercado brasileiro”, disse Nogueira, referindo-se às operadoras Claro (móvel) e Embratel (fixa) do bilionário mexicano no Brasil.

A notícia da recusa da oferta da Telefónica na assembleia de acionistas da PT refletiu negativamente nos preços das ações negociados hoje da Vivo e da Telesp na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Nas últimas semanas, as ações da operadora luso-espanhola registaram forte subida, com o anúncio das propostas de aquisição da parte da PT apresentadas pela Telefónica.

O veto do representante da posição estatal na PT contra a venda da Vivo à Telefónica, utilizando a “golden share”, apesar de a maioria dos acionistas terem dado luz verde à venda, evidenciou o “risco político” da operação.

“Temos agora um componente político, com a atitude do Governo português”, disse o analista Eduardo Roche, da Corretora Modal, para quem a possibilidade de uma aprovação da proposta tinha aumentado com a nova oferta da Telefónica.

A Telefónica elevou terça feira a oferta de 6,5 mil milhões de euros para 7,15 mil milhões de euros, numa derradeira tentativa de convencer os acionistas da PT.

“O preço mais elevado e uma postura não tão radical indicavam uma possibilidade de aprovação do negócio, que agora fica indefinido”, salientou Roche.

No dia 8 de julho, o Tribunal Europeu vai decidir sobre uma queixa da Comissão Europeia contra o Estado português por causa da “golden share” na PT.

O analista Henrique Campos sublinhou que a Vivo, constituída em 2003 com a união de ativos da Telefónica e da PT, tem se mostrado “uma operação vitoriosa”, atualmente líder do mercado brasileiro, com 55,56 milhões de utilizadores, cerca de 30 por cento do total.

“É uma joint venture vitoriosa, mas daqui para frente um dos dois controladores terá que sair para garantir a governação da própria Vivo”, afirmou.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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