Rui Nabeiro "A solução para a crise? Não é trabalhar mais, mas sim melhor"

por Cláudia Reis, Publicado em 28 de Junho de 2010   
Comendador garante que a Delta está reagir bem à crise e que os 2600 funcionários são para manter
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"Uma marca de rosto humano e um relacionamento comercial em que o cliente é um amigo." É esta a filosofia de Rui Nabeiro, para quem a vertente social do grupo Delta é uma preocupação. No entanto, defende o comendador, para que o grupo se possa dedicar a estas causas, é imperativo que tenha sucesso nos negócios. "Apesar da crise, a Delta está bem", afirma o empresário, explicando que a solução para estes tempos difíceis "não passa por trabalhar mais, mas por trabalhar melhor".

"A crise não nos passa ao lado, claro, mas estamos preparados para nos defendermos dela", afirma Rui Nabeiro, acrescentando: "Neste momento, não estamos a pensar em dispensar trabalhadores."

Essa é uma das razões pelas quais, em Campo Maior, a lista de pessoas que esperam a oportunidade de trabalhar para o comendador "é grande". "O que não falta por aí é gente que queira trabalhar para ele", admite Manuel Miranda, de 79 anos. Depois de ter trabalhado durante 23 anos ao lado de Rui Nabeiro, primeiro como jardineiro da fábrica e em seguida como operário, não se esquece da "quantidade de fichas das pessoas dispostas a trabalhar na empresa". Não era trabalho fácil: "Houve alturas em que cheguei a estar dez dias seguidos na fábrica, sem voltar a casa", recorda, acrescentando: "E o patrão não pagava horas extraordinárias", embora "apoiasse de outras formas" - uns pacotes de café ajudavam a remediar as dificuldades.

Amigo de infância do comendador, conta ao i que, há muitos anos, bastava "um pedido mais aflito ao encarregado para que ele telefonasse, passado uma semana, para casa dessa pessoa a comunicar-lhe uma vaga", nem que fosse apenas por uns dias.

"Tenho muitos casos de pessoas que querem trabalhar comigo. Ainda na semana passada tinha uma suíça a pedir-me trabalho, mas neste momento... é muito complicado", admite. Nada que chegue para mudar a opinião dos campomaiorenses em relação ao empresário, que em 1961 se aventurou no negócio do café. Mónica Oliveira, de 26 anos, garante mesmo que, "se não fosse ele a investir na terra, talvez Campo Maior não estivesse tão desenvolvido e tão bem visto" no exterior.

Dividida em 22 departamentos, a Delta Cafés emprega hoje cerca de 2600 pessoas. Vindo sobretudo de África e da América do Sul, onde predomina o clima tropical, o transporte do café é feito por mar. Diariamente são torradas 100 a 120 toneladas de café na fábrica, que seguem em centenas de camiões para o país e para o mundo.

"Se investi na terra é porque gosto dela", diz o empresário, não querendo revelar, para já, se vai alargar os seus investimentos a novas áreas, como o vinho, onde se aventurou há três anos [ver caixa]. "O negócio que deu expressão ao grupo é o do café; portanto, essa vai continuar a ser a minha aposta", conclui.


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