O Museu Colecção Berardo completa sexta-feira o terceiro aniversário com um "balanço positivo" de dois milhões de visitantes em 37 exposições, mas os tempos de crise obrigam a dispensar a tradicional festa aberta ao público.
O Museu Berardo foi inaugurado a 25 de junho de 2007, para acolher a coleção de arte moderna e contemporânea do colecionador e empresário Joe Berardo sob a gestão de uma fundação com participação do Estado instituída um ano antes.
Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da entidade, Rui Silvestre, fez um balanço do terceiro aniversário do museu assente num acervo inicial de 862 obras do comendador madeirense cedido em regime de comodato até 2016, e instalado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
"Face aos objetivos do museu, o balanço é claramente positivo. A nossa missão era dar a conhecer a coleção Berardo e torná-la o mais possível acessível ao público, e é isso que está a acontecer", apontou.
Rui Silvestre ressalva que "três anos é pouco tempo, mas já é possível constatar que o Museu Berardo se tornou um espaço cultural de referência a nível nacional e internacional".
Em números, os três anos de vida do museu traduziram-se em dois milhões de visitantes, sendo que no último ano, contabilizado até maio, as entradas ascendem a 873 mil, um aumento registado em relação ao ano anterior, com 632 mil visitas.
Também foram adquiridas 210 obras em nome da fundação que gere o museu, e que possui representantes do Estado e do comendador Berardo.
Entre as exposições mais visitadas, todas de entrada livre, destaca-se a antológica "Sem Rede", de Joana Vasconcelos, realizada este ano, com 170 mil visitantes, uma das mais visitadas em Portugal e a mais procurada pelo público do museu.
Apesar do balanço positivo, devido à "contenção orçamental", o Museu Berardo não vai festejar o terceiro aniversário com o tradicional evento com música, performances e outras ações artísticas.
"Este ano decidimos marcar a data de forma diferente. Não realizamos um evento, mas focamo-nos naquilo que é a nossa missão essencial: promover exposições das obras", apontou.
Questionado sobre se os cortes orçamentais ditados este ano pelo Ministério da Cultural também vão afetar o Museu Berardo, Rui Silvestre disse que "ainda não são conhecidas medidas concretas, mas face às alterações legislativas, é de esperar que sim".
O diretor referia-se ao Decreto-Lei n.º 72-A/2010, publicado dia 18 de junho em Diário da República, onde são estabelecidas as normas de execução do Orçamento do Estado para 2010, e, entre outros ministérios, surge também a gestão do Ministério da Cultura.
"Excecionalmente, as transferências de capital para instituições sem fins lucrativos, relativas a comparticipações ou contribuições financeiras para fundos para aquisição de obras de arte respeitantes ao ano de 2010, não se realizam", lê-se no diploma.
"Nós conhecemos o que foi publicado no decreto-lei. Deve afectar-nos, como a todas as instituições", estimou, avaliando que "os museus não estão distantes da sociedade e são afetados por aquilo que se passa".
Atualmente, com base no acervo da coleção e de artistas convidados, o museu tem patente a exposição "Tudo o que é sólido dissolve-se no ar: o social na coleção Berardo", com comissariado de Miguel Amado.




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