Droga, sexo. Ser o mais popular na escola é arriscado mas compensa

Publicado em 24 de Junho de 2010   
Os jovens mais populares metem-se mais facilmente em sarilhos, mas são os que têm maiores salários em adultos
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A época do baile de finalistas chegou e partiu e, embora este ano não me tenha afectado a mim nem aos meus filhos (eu sou velha de mais, eles novos de mais), provocou um aperto de estômago pelas reminiscências.

O baile de finalistas, mais a série interminável de eventos que o antecedem e se lhe seguem, é apenas mais um exame social que os adolescentes têm de enfrentar nos anos escolares e um teste de popularidade, integração e aceitação.

Isso pôs-me a pensar em popularidade. É um assunto importante para a maioria dos adolescentes e por vezes mais ainda para os pais. No meu meio, os pais gostam muitas vezes de se gabar (sob uma ténue capa de falsa contrariedade) de que os filhos têm festas todos os fins--de-semana e não param em casa.

Tenho uma amiga cujo filho é academicamente proficiente e participa em actividades escolares e circum-escolares. No entanto, não é muito gregário.

"É difícil", diz ela. "Quando os outros pais falam parece que há alguma coisa de errado com o nosso filho, embora isso não seja verdade."

Isto pôs-me a pensar se a popularidade será sempre uma coisa boa e na maneira como influencia a vida de cada um depois do secundário.

Mitchell Prinstein, professor e director do departamento de Psicologia Clínica da Universidade da Carolina do Norte, explica como os investigadores perspectivam a popularidade: há alunos que classifica de "elevado estatuto", como o presidente do Conselho de Alunos ou o capitão da equipa de futebol.

Há outro tipo de popularidade, a que Prinstein chama "grau de simpatia". É a medida da simpatia dos pares e da preferência que têm por cada um. Uma pontuação alta aponta o tipo de pessoa com quem se gosta de sair ao sábado à noite.

Esses adolescentes tendem a ser bem ajustados a vários níveis: têm boas relações com os pais e com outros adultos e são capazes de se mover bem em situações sociais diversas.

"Tendem a estar cuidadosamente sintonizados com as normas do seu grupo", diz Joseph Allen, professor de Psicologia da Universidade da Virgínia. "Geralmente não criam tendências, mas detectam-nas."

As investigações realizadas indicam que cerca de 20% dos estudantes de qualquer escola são muito estimados e cerca de 50% são medianamente estimados (têm alguns amigos, mas não necessariamente muitos) e que os restantes se podem classificar como alunos negligenciados ou rejeitados. Estes últimos são ignorados ou alvos de antipatia explícita.

Isto é, em linhas gerais, o que se passa na maior parte das escolas que conhecemos. Eu caí nesse grupo intermédio: tinha um grupo de amigos, participava em várias actividades escolares e desportos (e, sim, fui ao baile de finalistas), mas não atingi de maneira nenhuma os píncaros da popularidade.

Mas a verdadeira questão é saber o que a popularidade na escola secundária nos diz sobre o mundo que está para além da fase da adolescência. Será que faz diferença?

Allen tem algumas respostas. O especialista tem vindo a acompanhar um grupo demograficamente variado de 185 alunos de Charlottesville (estado da Virgínia) desde que eles tinham 13 anos; têm agora 24. E conta estudá-los ainda durante vários anos.

Graças ao seu estudo longitudinal descobriu que os adolescentes mais populares têm mais probabilidades de se meter em sarilhos com comportamentos pouco aceitáveis, como roubar objectos em lojas, beber em excesso ou fumar marijuana.

"Trata-se da moeda da adolescência", diz Prinstein. "É um maneira de mostrarem aos seus pares que não fazem o que os adultos querem, que são autónomos e independentes."

Muitos desses pequenos delitos deixam de ser cometidos à medida que eles crescem, diz Allen, mas a bebida e o consumo de marijuana tendem a agravar-se na faculdade e mais tarde.

Embora nem todos os adolescentes muito gregários caiam no consumo de substâncias nocivas, "verifica-se que os miúdos mais populares são mais vulneráveis", diz, porque exactamente aquilo que os torna populares (estarem em sintonia com as necessidades e as normas dos seus pares) pode ter consequências negativas, acrescenta.

A boa notícia é que não é preciso ter montes de amigos nem ocupar uma posição cimeira na escala da popularidade para uma pessoa se sentir bem consigo mesma, descobriram os investigadores.

Se o seu filho tiver uns quantos amigos próximos que o façam sentir-se aceite e estimado, se tiver um aproveitamento académico relativamente bom e participar numas quantas actividades dentro e fora da escola, não há, provavelmente, razões para se preocupar. "É sinal de que está a aprender a, simultaneamente, estar ligado e a ser autónomo", diz Allen.

Com efeito, com outro estudo, com 164 alunos de 13 e 14 anos, um subconjunto do grupo de Allen, constatou-se que os adolescentes que se consideram estimados e dizem estar à vontade junto dos seus pares tinham, a longo prazo, tanto êxito social como os que eram geralmente considerados populares. A longo prazo, esta sensação interior de aceitação social, dizem os autores do estudo, pode ser tão importante como o número de amigos, ou mais.

Há, porém, alguns indícios de que ser mais popular pode oferecer vantagens económicas a longo prazo. Utilizando dados de 4330 inquiridos do sexo masculino que terminaram o curso secundário em 1957, um grupo de investigadores das áreas económica e laboral relatou, em 2009, que foi detectada uma relação entre o número de amigos e rendimentos futuros maiores.

Em 1975 pediu-se aos participantes do estudo que nomeassem os três amigos mais próximos do mesmo sexo do tempo da escola. Controlando todos os outros factores, incluindo a inteligência, no relatório de 2009 concluiu-se que os indivíduos nomeados como amigos íntimos por uma pessoa tinham rendimentos 2% mais altos na vida futura que os restantes que não eram nomeados. A uma nomeação por cinco pessoas estava associado um nível salarial 10% superior.

Pode dar-se o caso de o facto de se ser nomeado como amigo íntimo seja indicação de boas competências sociais, que acabarão por produzir vantagens ao longo da vida, diz Gabriella Conti, responsável principal pelo relatório.

Não há dúvida de que as características que normalmente associamos a ser--se estimado (ser extrovertido, emocionalmente estável e seguro de si) costumam ser uma mais-valia na vida profissional.

"No local de trabalho, muitas das tarefas não são realizadas isoladamente", diz Brent Scott, professor-assistente de Gestão da Universidade Estadual do Michigan, cuja tese de doutoramento versou sobre a popularidade no local de trabalho.


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