Debate sobre uso da burca chega ao parlamento espanhol

por Cláudia Reis com Lusa, Publicado em 22 de Junho de 2010   
Opções
a- / a+

O parlamento espanhol debate na quarta feira uma proposta do Partido Popular (PP, oposição) que visa proibir o uso da burqa em espaços públicos, uma medida que já foi aprovada por várias autarquias de Espanha.

A proposta surge na sequência do crescente debate em Espanha sobre o uso de véus integrais e numa altura em que o Governo estuda a lei de liberdade religiosa, que poderá incluir elementos relacionados com esta questão.

Os debates atravessam o espetro político e as proibições têm sido aprovadas em várias zonas de Espanha, mas o defecho da votação de quarta feira é incerto.

O ministro do Trabalho e da Imigração espanhol, Celestino Corbacho, defendeu em maio a proibição do uso do burqa nas empresas e na administração pública, remetendo para as autarquias uma decisão sobre o seu uso.

Comentários que surgiram dias antes do município de Lleida (Catalunha) – foi o primeiro de vários a fazê-lo - ter aprovado a proibição do uso em repartições públicas da burqa, que cobre todo o corpo e tem apenas uma renda para permitir a visão, e do ‘niqab’, que deixa os olhos descobertos.

“Se na rua vir uma pessoa com uma cruz penso que essa pessoa tem crenças religiosas próximas à religião cristã. E pode haver outras pessoas com crenças que se identifiquem com um véu”, afirmou Corbacho.

“Mas outra coisa é a burqa. Não imagino uma pessoa a trabalhar no nosso mercado laboral ou desenvolver uma actividade pública com burqa. Não estou de acordo com a burqa e vai mais além do que é a identificação simbólica de uma pessoa com uma crença”, afirmou.

Apesar de insistir que deve haver respeito pelas crenças individuais, Corbacho considerou que “deve haver normas mínimas”.

“Esconder a mulher completamente atrás de um traje, por mais simbologia religiosa que tenha é um choque radical com o que significa a nossa sociedade e com o que tem significado nos últimos anos um avanço importantíssimo na luta pela igualdade entre homens e mulheres”, considerou.

“Se me pergunta se alguém deve poder trabalhar na câmara de Lleida e exercer o seu trabalho com uma burqa a minha resposta é que não e se não há normas que o proíbam a câmara terá que aprovar alguma que o proíba”, afirmou.

De acordo com especialistas, este é um debate artificial porque em Espanha são poucas as pessoas que possam ser afetadas por esta medida.

Para a antropóloga Yolanda Aixelá, o debate é exagerado e dado o reduzido número de mulheres que em Espanha usam esse tipo de véus, pode até ser prejudicial para o relacionamento interreligioso.

O coordenador do Centro de Informação da Junta Islâmica, Mohamed Escudero, também considera que se trata de um problema “inexistente” já que são poucas as mulheres que usam este tipo de véu em Espanha.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close