Uma marca não é um destino, é um caminho e, como poucos, Saramago soube percorrer o caminho da sua marca (entenda-se marca no sentido supracomercial do termo).
Entre as vírgulas da sua vida e da sua escrita, Saramago foi um português invulgar. Censurou e foi censurado, foi amado e odiado pela sua coragem de ensaiar a cegueira do homem perante os edifícios de certezas em que poucos acreditam mas ninguém questiona. Semeou palavras de sabor amargo, onde Portugal seria uma região de uma imensa jangada de pedra ibérica que encontraria o seu continente do outro lado do Atlântico.
Começou tarde, mas teve o génio de saber encontrar a sua Pilar, onde alicerçou a vontade de traduzir as suas palavras ao mundo, que o fez Nobel e lhe deu voz. Com a ajuda deste amplificador universal, Saramago escreveu a urgência que sentia e, sabendo que o tempo lhe faltava, alimentou o seu countdown interior, desmultiplicando-se em viagens, palestras e desafios de palavras, um pouco por todo o mundo, que nem saltimbanco inquieto.
Como escreveu, " Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam". Pois sempre um escritor chega ao fim do livro da sua vida, acorda o ponto final que o espera, mas também acorda o parágrafo que o continua. Morreu o homem para quem a finitude é o destino de tudo. Mas creio eu que, ao contrário de um fim, Saramago deixou escrito na memória de Portugal o princípio da infinitude da sua marca.
Criador de marcas
Presidente da Ivity Brand Corp




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