O primeiro ministro, José Sócrates, considerou hoje que o histórico socialista António de Almeida Santos é “um dos príncipes da democracia”.
“O Almeida Santos é, para mim, um dos príncipes da nossa democracia”, afirmou José Sócrates, na Guarda, durante uma homenagem da Câmara local ao antigo presidente da Assembleia da República, por ter sido o primeiro presidente eleito após o 25 de Abril.
Durante o discurso, todo ele dirigido ao homenageado, José Sócrates disse, com alguma emoção, que “as qualidades políticas de Almeida Santos são grandes”, mas “não se comparam às suas qualidades humanas”.
“Digo com emoção que nunca conheci um político com tão bom coração, tão bom companheiro, tão bom amigo, como Almeida Santos”, afirmou.
Reconheceu que o histórico socialista “tem notáveis qualidades humanas” e que “quem conta com ele, encontrará sempre mais do que a conta”.
O primeiro ministro também disse que “o que faz de Almeida Santos um grande homem e um grande político” é o facto de “gostar da sua terra”, sublinhando que ele “sempre amou o distrito da Guarda”.
Considerou o homenageado como “um grande político, que marcou a vida democrática portuguesa”, que lutou pela liberdade e pela igualdade, “um grande jurista” e “um grande advogado”.
António de Almeida Santos, que foi o primeiro presidente da Assembleia Municipal da Guarda entre 1977 e 1985, natural de Cabeça, concelho de Seia, mostrou-se comovido com a distinção da autarquia em atribuir o seu nome à Sala da Assembleia.
Disse que tem “muito orgulho” em ter desempenhado aquelas funções e que as viveu “com muita intensidade”.
“Fico muito vaidoso com esta homenagem”, declarou, confidenciando que guarda “boas recordações” daquele tempo.
O presidente da Câmara da Guarda, o socialista Joaquim Valente, disse que a Sala da Assembleia Municipal passou a ter o nome do seu primeiro presidente, “uma figura de relevo da história da democracia, que muito contribuiu para o prestígio deste órgão”.
Dirigindo-se ao primeiro ministro, o autarca lembrou que a Câmara está a travar “a batalha” contra o despovoamento, mas esta só será ganha “com o compromisso e a solidariedade do Governo”.
Defendeu uma política de coesão, “que não encare o mapa do país como um todo indiscriminado”, e disse que no âmbito das reformas em curso “nenhuma medida seja tomada sem que haja um diálogo construtivo com os poderes locais”.
“Admitir que as vias rodoviárias estruturantes que atravessam o nosso distrito [autoestradas A25 e A23] possam passar a ter custos para o utilizador é contrariar o princípio da solidariedade nacional para com regiões com baixos níveis de desenvolvimento”, alertou Joaquim Valente.
Esta preocupação do autarca da Guarda ficou sem qualquer resposta de José Sócrates, que não falou do assunto no discurso nem prestou declarações aos jornalistas no final da cerimónia.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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