Furto de explosivos. PJ não descarta cenário de terrorismo

por Inês Cardoso , Publicado em 17 de Junho de 2010   
Judiciária diz ser provável que o material se destine à venda no mercado paralelo. Mas alertou Espanha, por precaução
Opções
a- / a+
O alerta voltou a soar e a pôr Portugal e Espanha em contacto. O "cenário mais plausível" no roubo de cerca de 400 quilos de explosivos de uma pedreira em Nelas é que se destinem à venda no mercado paralelo, mas a PJ não descarta a possibilidade de haver objectivos terroristas. As autoridades espanholas foram informadas e a Unidade Nacional de Contraterrorismo está no terreno, a apoiar a Directoria de Coimbra.

"Os elementos já recolhidos permitem-nos considerar que deverá tratar-se de criminalidade comum, mas mantemos todas as hipóteses em aberto", admitiu ao i fonte da direcção nacional da PJ. Para proteger a investigação, a Judiciária não revela se já tem suspeitos do furto, ocorrido domingo de madrugada.

Estando em causa uma quantidade tão elevada de explosivos e cordão detonante, a PJ informou as autoridades espanholas, de acordo com os protocolos de cooperação. Foi uma "comunicação prudencial", sublinha a mesma fonte, explicando que nenhum meio das polícias espanholas foi deslocado para o nosso país. "Quem está a investigar é a Polícia Judiciária e apenas recorremos aos mecanismos normais de cooperação." Pelo menos "nesta fase", acrescenta.

Linha directa Questionado no Parlamento, o ministro da Administração Interna assegurou estar "em contacto permanente" com o seu homólogo espanhol. Rui Pereira disse ainda que a PSP, a GNR e até o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras "têm todas as orientações para cooperarem com a PJ para descobrirem rapidamente o que aconteceu".

Por ser o Ministério da Justiça que tutela a Polícia Judiciária, o PSD considerou que deve ser Alberto Martins - e não o ministro da Administração Interna - a explicar "com urgência" o roubo de explosivos na freguesia de Senhorim. "Esta é matéria de exclusiva e reservada competência da PJ. Aguardamos que, o mais brevemente possível e com urgência, o ministro dê alguma explicação ou no mínimo uma explicação semelhante à que o ministro do Interior deu em Espanha", afirmou o deputado Fernando Negrão.

Amanhã Alberto Martins estará reunido com o ministro da Justiça espanhol em Guimarães. Embora a tutela das forças policiais seja, em Espanha, exclusiva do ministro do Interior, será natural que o tema acabe por estar sobre a mesa.

O episódio surge poucos meses após a descoberta da primeira base logística da ETA no nosso território, em Óbidos. A apreensão de 106 velas de gelamonite (material explosivo), 69 detonadores e 64,5 metros de cordão obrigou as polícias portuguesas a olharem com mais cuidado para os riscos associados aos explosivos.

Em Janeiro, um mês antes do desmantelamento da base da ETA em Óbidos, tinham sido detidos em Moncorvo dois alegados etarras. Garikoitz García Arrieta foi indiciado em Portugal pelos crimes de roubo de viatura e terrorismo, enquanto Iratxe Yáñez Ortiz de Barron é suspeita de falsificação de documentos e adesão e apoio a actividade terrorista da ETA. Ambos viram anteontem o Tribunal da Relação de Lisboa negar-lhes provimento ao recurso para rever a prisão preventiva a que continuam sujeitos.

Para justificar a medida mais gravosa de coacção, o Ministério Público juntou aos autos três outros processos que estão em investigação, sobre alegadas actividades da ETA em Portugal.

A União Europeia está a preparar uma proposta de directiva que visa congelar os activos que sirvam para financiar actividades terroristas. O anúncio foi feito anteontem pelo coordenador antiterrorista da UE, Gilles de Kerchove. A proposta deverá ficar concluída até final do ano, mas terá depois de ser discutida pelos 27 e passar no Parlamento Europeu.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close