O ex-arcebispo alemão Walter Mixa, cuja demissão foi aceite em maio pelo papa Bento XVI, acusou a hierarquia da Igreja Católica germânica de o ter “usado como trunfo”, no escândalo de abusos sexuais de menores.
Em entrevista publicada hoje no jornal Die Welt, Mixa, que admitiu anteriormente ter batido em crianças quando era professor no orfanato de Schrobenhausen, afirmou que o presidente da Conferência Episcopal Alemã, arcebispo Robert Zollitsch, e o arcebispo de Munique, Reinhard Marx, “deviam ter sido mais fraternais”.
Os dois prelados convenceram Mixa a resignar, na sequência do escândalo, e a 08 de maio passado o papa aceitou a demissão de Mixa, que dirigia a diocese de Ausgbsburgo, e era também bispo das forças armadas.
Na entrevista ao Die Welt, Mixa disse que tomou a decisão de enviar a carta de demissão ao Vaticano “sob grandes pressões externas, como se estivesse no purgatório”, acrescentando que está a ponderar solicitar ao tribunal do Vaticano que reexamine o caso.
A Conferência Episcopal da Baviera repudiou as acusações de Mixa, asseverando que o processo que levou ao seu afastamento “correu os trâmites legais”.
Bernhard Kellner, porta-voz da Conferência, acrescentou que foi decidido “abdicar da publicação de todos os pormenores do caso, sobretudo para proteger o emérito arcebispo”.
Simultaneamente, saudou a decisão de Mixa de se submeter a tratamento numa clínica psiquiátrica, considerando-a “um passo importante”.
Perante a nova agitação em torno do caso, o Conselho Diocesiano de Augsburgo solicitou ao Vaticano a rápida nomeação de um sucessor de Mixa.
“É preciso repor a tranquilidade na diocese”, disse o respetivo presidente, Bernhard Mangold, justificando o pedido.
O Ministério Público arquivou o inquérito preliminar a uma queixa por abuso sexual de menor contra Mixa, mantendo-se as acusações de ofensas corporais, que remontam ao período entre 1975 e 1996, e entretanto prescreveram.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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