O comissário europeu dos Transportes, Siim Kallas, considerou hoje que é normal que haja oposição a projetos de infraestruturas como o TGV entre Lisboa e Madrid, afirmando que em resposta se devem encontrar “consensos e soluções”.
“É a vida. Não é um paraíso. Teremos sempre diferentes opiniões. O nosso dever é encontrar acordos e soluções”, disse, questionado pela Lusa sobre o tema no final das jornadas sobre as Redes Transeuropeias de Transporte (RTE-T 2010) em Saragoça, Espanha.
“Há sempre oposição a estes projetos de infraestruturas. Vê-se isso em todo o mundo. Há sempre opiniões diferentes. O nosso papel é facilitar o diálogo, encontrar soluções para este tipo de problemas. Mas estes são projetos e corredores importantes”, disse ainda.
Sobre o mesmo tema, o ministro do Fomento espanhol, José Blanco, relembrou que as contestações aos projetos se ouvem apenas de alguma oposição e que Espanha, Portugal e França reiteraram terça feira num memorando assinado em Saragoça.
“Em questão do projeto prioritário e da conexão entre Lisboa, Espanha, França, os governos estão de acordo em impulsionar o desenvolvimento dessa infraestrutura. E nesse sentido assinamos esse memorando para considerar essa infraestrutura como prioridade política dos três estados membros”, disse.
“Tem sentido formular essa pergunta a quem da oposição quer obstruir e dificultar uma infraestrutura que para os governos tem particular importância neste momento para criar competitividade e crescimento económico”, afirmou ainda.
Durante os encontros de Saragoça, responsáveis europeus de transporte analisaram este e outros temas, reconhecendo que há que fazer mais para fortalecer as interconexões entre as redes nacionais já existentes.
Para José Blanco o encontro demonstrou que “as redes transeuropeias são um elemento essencial na criação do mercado interno, na melhoria da competitividade, no fortalecimento da coesão económica e social e proteção ambiental a nível europeu”.
Questionado sobre o fato das interconexões ainda não serem muito prevalentes, Kallas insistiu que já há algumas interconexões e que “já muito se avançou” depois de “há muitos poucos anos”, a Europa estar dividida por controlos fronteiriços.
“Houve grandes conquistas da mobilidade e tivemos desenvolvimentos positivos. A situação precisa de ser melhorada e isso foi reconhecido estes dias”, afirmou.
“Em muitos casos não temos uma rede totalmente satisfatória, temos boas partes nacionais da rede europeias mas não as ligações. Estamos a trabalhar nas soluções”, considerou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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