Trabalho

Louçã acusa Passos Coelho de querer acabar com despedimento por justa causa

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 05 de Junho de 2010   
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O líder do Bloco de Esquerda disse hoje que o PSD e o seu presidente pretendem acabar com a norma constitucional que proíbe o despedimento com justa causa, considerando que a direita política quer um país de "grande desemprego".

"Querem agora acabar com a norma constitucional que proíbe o despedimento com justa causa. Se não há justa causa não pode haver despedimento é o que diz a Constituição e diz muitíssimo bem", afirmou Francisco Louçã.

Num almoço com militantes do Bloco de Esquerda (BE) em Leiria, o dirigente acrescentou que Passos Coelho "não está contente" com as medidas já implementadas e com os 730 mil desempregados do país.

"Se com 730 mil desempregados for possível despedir sem qualquer justificação, a quantos é que chegaremos?", questionou, advertindo que "deixa de haver qualquer limite, qualquer proteção para a parte mais fragilizada que é o trabalhador".

Hoje, o semanário Expresso noticia que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, quer "liberalizar despedimentos e contratações".

Para o dirigente do BE, Passos Coelho pretende que, "mesmo se não houver causa, mesmo se não houver justa causa", o patrão possa despedir o trabalhador "porque deixa de haver contrato, deixa de haver regras e o trabalho não é um direito, é uma esmola que o patrão dá".

"Isto é o sonho de uma direita que quer um país de salários baixos ou grande desemprego, ou seja, um país desqualificado em que não há nenhuma regra", declarou, considerando que este é um sonho "para esta direita ilustrada poder despedir toda a gente, não haver capacidade de resposta dos sindicatos, os trabalhadores não poderem dizer a sua opinião".

Francisco Louçã reiterou ainda as críticas ao acordo entre PS e PSD para as medidas de austeridade, considerando que se trata de um "acordo de mau pagador, de promessas falsas, um acordo de demagogia".

A este propósito, apontou que o país "assiste ao aumento dos impostos e às dificuldades económicas com a certeza de que daqui a um ano ou menos de um ano lá estará Passos Coelho a tirar o tapete a estes acordos para pedir uma tentativa de maioria para uma direita que quer sempre voltar ao poder".

O líder do BE acrescentou que "a grande luta política durante este ano vai continuar a ser pelo trabalho, pelo emprego, contra a precariedade, contra a pobreza", sublinhando que "só uma esquerda socialista pode fazê-lo enfrentando José Sócrates e Passos Coelho".

"A luta pelo emprego é a luta mais importante pela democracia", frisou, acrescentando que junho significa para os portugueses o mês do aumento dos impostos, da redução dos salários e do maior número de desempregados de sempre.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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