Dias Loureiro abandona Conselho de Estado

por Bruno Roseiro, Publicado em 27 de Maio de 2009   
Segundo a SIC Notícias, Dias Loureiro já terá pedido uma audiência ao procurador-geral da República. A Procuradoria-Geral da República negou hoje ter sido feito um pedido de levantamento da imunidade do conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro. Questionado pela agência Lusa sobre se Dias Loureiro está a ser investigado pelo Ministério Públicono âmbito do processo BPN, a PGR referiu não ter "nada a dizer.".
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O ex-presidente do BPN, José Oliveira e Costa, foi ontem bastante crítico sobre o papel de Dias Loureiro, ex-administrador da SLN, na sua passagem pelo grupo, acusando-o de só ter criado problemas e de nunca assumi-los.

"O mandato de Dias Loureiro no grupo [SLN] terminou como começou: a criar problemas, mas negando sempre estar na origem da sua génese", referiu Oliveira e Costa aos deputados da comissão parlamentar de inquérito ao BPN.

Antes, já Oliveira e Costa tinha desmentido Dias Loureiro - dando razão à versão do antigo vice-governador do Banco de Portugal, António Mata - face às diferentes versões sobre uma reunião entre Dias Loureiro e o membro do supervisor bancário. Oliveira Costa disse que quando chamou Dias Loureiro para lhe dizer que não pretendia renovar o mandato como administrador não executivo da SLN este disse: "Veja lá como me trata, olhe que eu quando me hostilizam não sou para brincadeiras".

Inicialmente considerado "homem de confiança" de Oliveira e Costa, Dias Loureiro foi duas vezes a ser ouvido na comissão, onde remeteu para o ex-homem forte do BPN as principais decisões polémicas tomadas em negócios como o de Porto Rico, em que o grupo perdeu mais de 70 milhões de euros.
O cabeça-de-lista do BE às europeias pediu ontem, depois das revelações do ex-presidente do BPN, a saída de Vítor Constâncio do Banco de Portugal e exigiu do Presidente da República uma declaração sobre Dias Loureiro. "Nós sabemos que o Presidente da República não o pode demitir legalmente do seu posto de conselheiro de Estado mas nós sabemos que o Presidente da República pode e deve declarar publicamente que perdeu toda e qualquer confiança no seu conselheiro de Estado"
A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou hoje ter sido feito um pedido de levantamento da imunidade do conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro.

"A notícia veiculada pela imprensa de que foi pedido o levantamento da imunidade do conselheiro de Estado Dias Loureiro não corresponde à verdade", disse à Lusa o gabinete de imprensa da PGR.

Questionado pela agência Lusa sobre se Dias Loureiro está a ser investigado pelo Ministério Público (MP) no âmbito do processo BPN, a PGR referiu não ter "nada a dizer".A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou hoje ter sido feito um pedido de levantamento da imunidade do conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro. O presidente do PS, Almeida Santos, alegou hoje a sua condição de membro do Conselho de Estado para não comentar o futuro político do social-democrata Dias Loureiro, também membro do órgão de consulta do Presidente da República. "Como membro do Conselho de Estado não posso pronunciar-me sobre problemas que são do foro da consciência dos outros membros. Claro que tenho uma opinião sobre o assunto, mas não devo pronunciar-me", justificou. O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu hoje que Dias Loureiro devia "facilitar a vida" ao Presidente da República e abandonar o cargo de Conselheiro de Estado.

Dias Loureiro "devia evidentemente sair e facilitar a vida ao chefe de Estado", afirmou Paulo Portas, em declarações à Lusa, à margem de uma iniciativa de campanha eleitoral em Chaves.

Para Paulo Portas "o que aconteceu no BPN é de tal maneira grave que é preciso tirar consequências".

"Todo o país percebeu que o que aconteceu no BPN é de tal maneira grave e é de tal maneira uma organização criminosa que abusou da confiança dos outros (...) que é preciso cortar as maçãs podres". deputado do PS Manuel Alegre invocou hoje a sua condição de conselheiro de Estado para não se pronunciar sobre se Manuel Dias Loureiro deve ou não demitir-se do órgão de consulta do Presidente da República.

“Como membro do Conselho de Estado tenho um dever de reserva” sobre assuntos relacionados com o funcionamento do órgão, afirmou à agência Lusa o ‘histórico’ socialista ao ser questionado sobre se depois da audição de Oliveira e Costa no Parlamento, Dias Loureiro deve demitir-se voluntariamente.

“Esse é um problema sobre o qual eu não me pronuncio”, acrescentou Manuel Alegre.
A renúncia de Dias Loureiro ao cargo de conselheiro de Estado vai "terminar a carreira política" do ex-administrador da SLN, afirmou à agência Lusa o politógo António Costa Pinto.O investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sublinha que a demissão de Dias Loureiro, associada ao caso BPN, "não terá consequências sobre a imagem do Presidente da República", mesmo tendo Dias Loureiro sido designado por Cavaco Silva. No que refere ao efeito que a demissão de Dias Loureiro poderá ter no eleitorado português, António Costa Pinto acredita que "o efeito, a existir, já passou".

"Politicamente existirá sempre a suspeita sobre o que é verdade e mentira" naquilo que o politólogo define como um "escândalo empresarial".

 

Informação LUSA



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