Política

De Espanha não vêm boas sondagens para José Sócrates

por Paulo Pinto Mascarenhas, Publicado em 31 de Maio de 2010   
Sondagens em Espanha e Portugal dão oposição à beira da maioria absoluta
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Amigos para sempre? O primeiro-ministro José Sócrates costuma dizer que o homólogo espanhol, José Luis Zapatero, é o seu melhor amigo europeu. A proximidade estende-se à dimensão partidária: PS e PSOE fazem ambos parte da Internacional Socialista. Agora têm mais um ponto em comum: nas últimas sondagens em Portugal e Espanha os dois são cilindrados pelos maiores partidos da oposição, que ficam perto de ou conquistam mesmo a maioria absoluta das intenções de voto.

Os percursos dos dois líderes da oposição em Espanha e Portugal não são semelhantes. Mariano Rajoy dirige o Partido Popular em Espanha desde 2004 e já foi derrotado em duas eleições gerais - a primeira em Março de 2004 e a segunda, mais recente, em Março de 2008. Passos Coelho só chegou à liderança do PSD em Março deste ano. Tanto o PP espanhol como o PSD pertencem ao Partido Popular Europeu em Bruxelas.

Rajoy e Passos unem os seus destinos neste momento de crise. Se o barómetro TSF indicava na sexta-feira que o PSD está perto de conquistar a maioria absoluta, com 43,9% das intenções de voto, uma sondagem Sigma Dos para o diário "El Mundo" de ontem afirmava que os populares espanhóis conquistariam já a maioria absoluta e com uma vantagem de 10,5% sobre os socialistas de Zapatero.

Se as eleições fossem hoje, Rajoy conseguiria mesmo a façanha de obter uma maioria absoluta mais clara que a do seu antecessor José Maria Aznar: 45,6% contra 35,1% do PSOE. Lembre -se de que o PSOE obteve uma vantagem de 3% nas últimas legislativas de Março de 2008, perdendo assim quase 9% dos votos em apenas dois anos.

Em Portugal, Passos Coelho ainda não tem a maioria absoluta - mas se somarmos os 7,5% das intenções de voto do CDS, que também faz parte do PPE no Parlamento Europeu, o centro-direita é hoje claramente maioritário, com mais de 50% no barómetro da TSF.

Tanto em Espanha como em Portugal, as sondagens surgem pouco tempo depois da apresentação dos pacotes de austeridade. Traduzindo do castelhano, os jornais espanhóis poderiam estar a falar de Portugal. Como José Sócrates, Zapatero enfrenta um desemprego crescente e uma "crise da dívida semelhante à grega". Os socialistas espanhóis, tal como os portugueses, "atravessam dificuldades para convencer os nervosos mercados financeiros" e "a sua capacidade para impulsionar as reformas é limitada".

O governo espanhol conseguiu aprovar na semana passada o seu pacote de austeridade no parlamento, pela diferença mínima de um voto. Ao contrário do que vai acontecer com o PSD em Portugal já na próxima semana, o Partido Popular não só votou contra as medidas como já exigiu eleições antecipadas. Pedro Passos Coelho tem dito que esta será a última vez que aprova um aumento dos impostos e que cabe agora ao governo cumprir o plano de cortes na despesa pública.

O plano de austeridade espanhol, que atinge valores na ordem dos 65 mil milhões, inclui cortes de 5% nos salários dos funcionários públicos, o congelamento dos aumentos das pensões, o fim do cheque-bebé e reduções de 1,2 mil milhões de euros no financiamento das regiões. Mas não aumenta os impostos, ao contrário do que se verifica no pacote português.

Uma das curiosidades do último barómetro da TSF era saber em que medida o facto de o PSD aceitar o acordo com o governo afectava a popularidade do seu novo líder. A ter em conta as percentagens, Passos não é beliscado. Bem pelo contrário.


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