Protestos

Transportadores iniciam marcha lenta antes da greve de 7 de Junho

por Maria Catarina Nunes, Publicado em 31 de Maio de 2010   
A ANTP inicia uma marcha lenta para reinvindicar o aumento das horas semanais. Os sindicatos não apoiam.
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Os transportadores de mercadorias iniciam hoje uma marcha lenta que vai durar até quarta-feira. Estima-se que a manifestação se faça sentir em Faro, Beja, Évora, Viseu, Guarda, Lisboa, Porto, Coimbra, Pombal e Leiria.

A circulação a 40 quilómetros por hora - quando o mínimo permitido por lei nas auto-estradas é de 50 km/h - surge como forma de protesto por parte da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) antes da paralisação total, marcada para dia 7 de Junho, em todo o país. No entanto, a manifestação não é apoiada pelos sindicatos que apelaram à não adesão dos trabalhadores.

António Loios, presidente na Assembleia Geral da ANTP explicou ao i quais são as principais razões do protesto: "queremos mexer no código de trabalho de uma forma pró-activa E é por isso que os sindicatos não concordam". Acrescenta: "temos de encontrar uma maneira para que o sector seja adequado ao tempo moderno e para que os motoristas se sintam bem", explica.

Segundo a ANTP os protestos têm um principal objectivo: fazer com que Portugal seja competitivo no mercado internacional. Entre as várias reivindicações, encontra-se a descida do preço do gasóleo, a redução no preço das portagens e a aplicação do regulamento 561 no código de trabalho - o que regula vários países europeus. Com o regime actualmente em vigor em Portugal, os motoristas não podem ultrapassar as 40 horas semanais de trabalho e, depois das oito horas diárias de condução, são obrigados a descansar 11 horas. Nos países onde é aplicado regulamento 561, os motoristas trabalham mais tempo e descansam menos: conduzem 45 horas por semana e por cada dia de oito horas, descansam nove horas: "com estas medidas Portugal não pode competir", afirma António Loios. Diz também que além de trabalharem mais horas, "os espanhóis têm benefícios fiscais no gasóleo profissional, assim como nas portagens. Portugal é o único país da Europa que não aplica estas directivas comunitárias", diz.

Em relação às portagens, a ANTP pretende que funcione em Portugal tal como acontece em França, que tem um desconto de 13%. Segundo António Loios, a ideia é colocar os camiões nas auto-estradas, onde podem andar mais rápido, com melhores condições de segurança do que as estradas nacionais e desta forma diminuir os índices de sinistralidade e de poluição: "uma pratica mais eficiente e mais limpa", refere.

Relativamente ao gasóleo, a reivindicação é de uma descida de oito cêntimos, para "que os motoristas portugueses possam competir com o mercado espanhol", dado que no país vizinho "o gasóleo é 12 cêntimos mais barato".

O presidente da associação explica ainda ao i, que outra das questões prende-se com a Lei das Contra Ordenações, já que enquanto em Portugal "uma multa é 2000 mil euros, em França essa mesma multa é cerca de 200 euros", explica.

António Loios defende ainda que, tal como os sindicatos, não concorda com o ordenado dos motoristas (cerca de 480 euros) que esta remuneração deve sofrer uma subida. Porém, revela que "mais dinheiro implica mais produtividade e por isso um código de trabalho mais moderno e mais competitivo". A greve inicia-se dia 7 e prolonga-se até que as exigências sejam satisfeitas.


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