João Proença lamenta que CGTP, PCP e BE queiram destruição da UGT

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 30 de Maio de 2010   
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 O secretário-geral da UGT, João Proença, lamentou hoje que “certas vozes” da CGTP, do PCP e do BE continuem a “fazer da destruição da UGT o principal objetivo”, considerando que, no entanto, “nunca tiveram resultado”.

“A posição da UGT é clara: defendemos a unidade na ação, não pretendemos destruir ninguém, não temos como objetivo fundamental ter uma intervenção político-partidária”, disse aos jornalistas, quando questionado sobre as críticas feitas por a UGT não estar presente na manifestação promovida sábado pela CGTP.

João Proença, que hoje participou no congresso fundador da UGT/Viseu, afirmou que se tratou de “uma boa manifestação”, mas que, na sua opinião, “não teve eventualmente a adesão que os organizadores esperariam”.

“Os trabalhadores hoje sentem fortemente o problema de um grande nível de desemprego, uma grande insegurança no emprego e sentem muitas vezes os seus postos de trabalho ameaçados em termos de condições de trabalho”, afirmou.

Neste âmbito, considera que muitos mais manifestantes poderiam ter estado na rua e, se não o fizeram, foi “porque também entendem que neste momento de crise e de dificuldades há que ponderar bem as atuações concretas, se defendem bem ou não os trabalhadores”.

Questionado sobre a hipótese de ser marcada uma greve geral, João Proença lembrou que a última promovida pela CGTP “foi contra o Código de Trabalho e teve uma adesão de 15 por cento”.

“Esperemos que não repitam essa brincadeira, porque isso enfraquece a luta dos trabalhadores”, frisou, dizendo que, no entanto, a UGT está disponível “para uma greve geral com objetivos concretos”, por exemplo, se for equacionada a revisão do Código de Trabalho “numa perspetiva mais gravosa para os trabalhadores”.

“Eu acho que a CGTP, como a UGT, hoje defendem o Código de Trabalho e temos que nos bater para que os patrões, aqueles que pretendem a exploração dos trabalhadores, não aproveitem a atual relação de forças para aumentar a exploração”, acrescentou.

Na sua opinião, “só houve uma greve geral em Portugal”, em 1988, “contra uma tentativa de liberalizar os despedimentos” e, depois disso, o que houve foram “greves pseudogerais e infelizmente com uma fraca adesão”.

“Neste momento não há condições para uma greve geral, por muito que certos partidos políticos tentem partidarizar o movimento sindical”, realçou.

João Proença admitiu que o facto de UGT e CGTP não se entenderem “enfraquece a luta do movimento sindical”.

Lembrou os casos de “Espanha e Itália, em que há muito o movimento sindical ultrapassou divisões ideológicas e está unido”, e de França, “em que há uma grande divisão sindical, mas o movimento sindical encontrou fontes de unidade”, quando em Portugal se continuam “a encontrar fontes de divisão”.

“Quando esteve unido (o movimento sindical) levou à prática as suas lutas, obteve vitórias importantes, dividido deixa-se instrumentalizar pela intervenção político-partidária. Nós tentamos evitar esse caminho”, garantiu.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

 



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