"How to define a moment? I don't know..." É com essa pergunta sem resposta que começa a micrometragem "Moments", um dos vídeos mais partilhados no Facebook. O conceito que está por detrás desse vídeo é uma excelente explicação do sucesso do próprio Facebook.
O mundo já foi um livro com milhões de capítulos interligados, onde éramos todos habitantes invisíveis das entrelinhas. Com a popularização da TV, só para dar um exemplo, tornamo-nos figurantes sem rosto (exceptuando os famosos e os Big Brothers da vida) numa telenovela eterna. Como o ser humano gosta de narrativas coesas, sempre fez sentido a percepção de que tudo estava unido por um fio e que a nossa passagem pelo planeta, por mais inócua que fosse, teria um significado maior que seria compreendido no final. Mas só no final.
O problema é que fica difícil, numa sociedade dominada pela velocidade da informação, encontrar os elos que ligam tantas histórias que nos são despejadas a todos os instantes com e sem a nossa autorização. Não temos tempo para encontrar o herói e o mau da fita. É tudo tão rápido que os papéis estão sempre a mudar de posição. O. J. Simpson, Tiger Woods e o eng. Sócrates que o digam.
Alguns estudiosos afirmam que essa fragmentação dos estímulos informativos criou um chamado "universo da desatenção": um espelho partido em milhões de pedaços, exibindo imagens desconexas e sem sentido.
Esses momentos, através do Facebook, podem ser partilhados, comentados, copiados, reavaliados pelo seu grupo de amigos. Alguns, claro, serão até invejados, criticados, classificados de irrelevantes ou de exposições indevidas da própria privacidade. Mas ninguém poderá negar que esses momentos passarão a estar vivos para além da sua existência. E que, assim, passo a passo, foto a foto, vídeo a vídeo, twitt a twitt, passamos a ser protagonistas de uma história, da nossa história. Que é a única que, vamos ser sinceros, mal e porcamente, controlamos.
Voltando ao vídeo, se quer sorrir ou verter uma tímida lágrima, vale a pena assistir a "Moments" (no YouTube pesquise: "radiolab moments"). O filme não passa de uma colagem de imagens rápidas e, ensaiadamente, acidentais das vidas de pessoas desimportantes. Como numa poesia haikai involuntária, cada um terá o direito de ler o significado que quiser do conjunto. Ou como diria o meu Tio Olavo: "A vida é algo que acontece enquanto estamos respirando." Nem mais.
Publicitário, escritor e facebooker
Partilhas da semana
Amores Perros
Uma adorável animação sobre a relação de um cão com o seu dono. E a música que a acompanha também é sensacional. (No Vimeo.com: “Paterthin Music Vídeo”)
As Cores da Música
Vamos pintar os sons com cores? É o que um tipo faz neste vídeo, numa espécie de versão moderna para pianolas. (No Vimeo.com: “Colour a Sound”)
Sem Fronteiras
Excelente acção da CNN, relacionando o seu slogan com queda do muro de Berlim. (No YouTube: “CNN Beyond Borders”)




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