O descontentamento dos agentes da PSP saiu hoje à rua, levando cerca de dois mil profissionais a manifestarem-se em Lisboa, percorrendo a Avenida da Liberdade até ao Ministério da Administração Interna.
Entre palavras de ordem como "Sócrates toma atenção, os polícias têm razão" ou "Nós só queremos Sócrates a arder", os muitos agentes que responderam ao apelo da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) reclamaram por um novo estatuto profissional, que ponha fim àquilo que chamam de "injustiça" no seio da PSP.
Apesar dos aumentos salariais não serem o motivo desta manifestação, um dos agentes, que não se quis identificar, disse à agência Lusa que existe uma diferença "muito baixa" entre as remunerações de quem entra agora para a corporação e quem já trabalha há muitos anos.
"Eu tenho dez anos de polícia e, em relação a elementos que entraram há seis meses, eu recebo mais 20 ou 30 euros. Chegámos à conclusão que andamos dez anos a marcar passo para nada", disse o agente.
O profissional da polícia afirmou que deveria ter sido promovido há seis anos, mas continua à espera.
"Estamos à espera de 227 vagas que vai haver para agente principal e no meu caso nem sequer estou incluído nessas vagas", protestou, apontando que os louvores vão para quem é "mais próximo dos oficiais".
Na manifestação, que se saldou pelo balanço final de cerca de dois mil participantes, a recusa dos agentes em darem o nome ou mesmo em falar com os jornalistas foi uma constante entre os mais novos.
Entre os mais velhos, o problema mais apontado prende-se com a idade da reforma.
António Gouveia, de 54 anos e efetivo há 28, sublinhou que os agentes "continuam a ser esquecidos" e "mal entendidos".
Já Rui Moreira, polícia há 28 anos, protestou pelo facto de agora ser exigido mais nove anos de trabalho para chegar aos 60 anos, quando antes a idade da reforma era aos 55 anos.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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