UGT demarca-se de manifestações a "pedir demissão do Governo"

Publicado em 27 de Maio de 2010   
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O líder da UGT afastou hoje a possibilidade de a central sindical vir a apoiar manifestações "apelando à queda do Governo", numa alusão à concentração convocada para sábado pela CGTP.

As manifestações são "legítimas", mas a UGT "privilegia o diálogo", disse João Proença hoje em Lisboa, no final de uma reunião do secretariado da estrutura sindical.

Apesar de considerar que os "sacrifícios" decididos pelo Governo para combater a atual crise económica atingem "sobretudo os trabalhadores", o sindicalista considerou que são, no entanto, "mais equitativos" do que as medidas impostas pelos executivos grego e espanhol.

O Conselho de Ministros aprovou hoje mais um pacote de cortes na despesa pública que afetam maioritariamente as políticas de apoio aos desempregados e à populações de menor rendimento, com os quais conta realizar uma poupança anual de 151 milhões de euros.

"Em Portugal, como noutros países, [os cortes orçamentais] atingem sobretudo as populações de muito baixos rendimentos", reconheceu o líder da central sindical e dirigente do atual partido no Governo.

Até agora, "têm sido poupadas as pessoas com maior nível de rendimento, incluindo os empresários", acusou, o que "provoca um aumento das desigualdades sociais" no país.

Concretizando, disse ser "frontalmente contra" as medidas que afetem os desempregados e pessoas com rendimentos mensais na casa dos 600 euros mensais, ou o aumento de cinco para seis por cento no IVA em bens de consumo essenciais.

Proença defendeu ainda que, além das despesas, o défice seja também atacado pelo lado da balança comercial, com o aumento das exportações e a diminuição das importações, designadamente apostando na produção nacional, onde realçou a necessidade de aumentar a quantidade e qualidade no setor agrícola.

O sindicalista afastou também a possibilidade de vir a apoiar uma greve geral - como admite a central sindical CGTP - considerando que colocar o Governo em causa nesta altura levaria a um clima de instabilidade social que considera indesejável.

A política da UGT para contrabalançar os efeitos sociais das medidas governamentais passa antes por "greves" e "manifestações" setoriais que levem ao desbloqueamento da negociação coletiva e o Governo e as entidades patronais a sentarem à mesa das negociações, o que, disse, não tem sucedido nos últimos tempos.

Os "pacotes" de medidas anti-crise do Governo têm sido apresentados sem qualquer consulta ou negociação com os sindicatos, assegurou.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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