O líder da UGT afastou hoje a possibilidade de a central sindical vir a apoiar manifestações "apelando à queda do Governo", numa alusão à concentração convocada para sábado pela CGTP.
As manifestações são "legítimas", mas a UGT "privilegia o diálogo", disse João Proença hoje em Lisboa, no final de uma reunião do secretariado da estrutura sindical.
Apesar de considerar que os "sacrifícios" decididos pelo Governo para combater a atual crise económica atingem "sobretudo os trabalhadores", o sindicalista considerou que são, no entanto, "mais equitativos" do que as medidas impostas pelos executivos grego e espanhol.
O Conselho de Ministros aprovou hoje mais um pacote de cortes na despesa pública que afetam maioritariamente as políticas de apoio aos desempregados e à populações de menor rendimento, com os quais conta realizar uma poupança anual de 151 milhões de euros.
"Em Portugal, como noutros países, [os cortes orçamentais] atingem sobretudo as populações de muito baixos rendimentos", reconheceu o líder da central sindical e dirigente do atual partido no Governo.
Até agora, "têm sido poupadas as pessoas com maior nível de rendimento, incluindo os empresários", acusou, o que "provoca um aumento das desigualdades sociais" no país.
Concretizando, disse ser "frontalmente contra" as medidas que afetem os desempregados e pessoas com rendimentos mensais na casa dos 600 euros mensais, ou o aumento de cinco para seis por cento no IVA em bens de consumo essenciais.
Proença defendeu ainda que, além das despesas, o défice seja também atacado pelo lado da balança comercial, com o aumento das exportações e a diminuição das importações, designadamente apostando na produção nacional, onde realçou a necessidade de aumentar a quantidade e qualidade no setor agrícola.
O sindicalista afastou também a possibilidade de vir a apoiar uma greve geral - como admite a central sindical CGTP - considerando que colocar o Governo em causa nesta altura levaria a um clima de instabilidade social que considera indesejável.
A política da UGT para contrabalançar os efeitos sociais das medidas governamentais passa antes por "greves" e "manifestações" setoriais que levem ao desbloqueamento da negociação coletiva e o Governo e as entidades patronais a sentarem à mesa das negociações, o que, disse, não tem sucedido nos últimos tempos.
Os "pacotes" de medidas anti-crise do Governo têm sido apresentados sem qualquer consulta ou negociação com os sindicatos, assegurou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




Rating: 0.0
Actividade em ionline