Faculdade de Ciências vai estudar fauna e flora para sustentar candidatura da Arrábida a Património Mundial

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 27 de Maio de 2010   
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A identificação e caracterização da fauna e flora terrestre é o principal objetivo de um protocolo assinado hoje, em Sesimbra, pela AMRS - Associação de Municípios da Região de Setúbal e Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O protocolo prevê a elaboração dos componentes de fauna e flora terrestres a incluir no dossier da Candidatura da Arrábida a Património Mundial e a apresentação de propostas a incluir no Plano de Gestão, que complementa a candidatura, trabalho que será desenvolvido através do Centro de Biologia Ambiental daquela universidade.

"Estes protocolos abrangem estas duas componentes: natural e imaterial. Estamos a assegurar um conjunto vasto de parceiros, de entidades, de instituições - as forças vivas que estão na Arrábida, mas que representam a região" disse à Lusa o presidente da AMRS, Alfredo Monteiro, lembrando que a associação tem protocolos com diversas entidades regionais e estabelecimentos de ensino.

"Estamos a unir a região à volta da Arrábida para que o país se una também à volta da Arrábida, porque se trata de uma candidatura do país e não apenas da região", frisou.

Alfredo Monteiro falava à Lusa durante o 1.º Fórum da Candidatura, que decorreu no Cine-Teatro João da Mota, em Sesimbra, onde foram enunciados os critérios da candidatura da Arrábida a Património Mundial.

Inicialmente a candidatura contemplava apenas a componente natural, mas agora vai incluir, também, a componente cultural e cultural imaterial, tendo sido, por isso, transformada em Candidatura a Património Mundial Misto.

A candidatura da Arrábida a apresentar junto da UNESCO abrange uma vasta região que ultrapassa os limites do Parque Natural da Arrábida e que abrange toda a cordilheira da serra do Risco, desde o castelo de Palmela até à plataforma do Cabo Espichel, incluindo o Parque Marinho Luís Saldanha.

Neste território, entre muitos outros pontos de interesse que justificam a candidatura, podemos encontrar vegetação mediterrânica com características únicas no mundo, uma paisagem de extrema beleza, grutas e vestígios arqueológicos do Paleolítico Inferior, do Calcolítico e da época romana, pegadas de dinossauro, em Sesimbra, e as grutas e sepulcros da Quinta do Anjo, Castro Chibanes.

A grande biodiversidade da Arrábida, onde existem várias espécies em risco de extinção, e do Parque Marinho Luiz Saldanha, onde já forma identificadas mais de 1300 espécies de fauna e flora marinhas, e que constitui uma "maternidade" para muitas espécies que ali se reproduzem, são outros pontos fortes da Arrábida, que terão de ser devidamente fundamentados em termos científicos.

Foi justamente para conseguir uma boa fundamentação técnico-científica em todas a vertentes da candidatura que a AMRS assinou outros protocolos de cooperação, com o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, Federação Portuguesa de Espeleologia, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Geologia, Geomorfologia, Paleontologia e Cartografia) e Instituto Superior de Agronomia (Flora Terrestre e Paisagem).


 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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