Futuro de Dias Loureiro está nas mãos de Cavaco Silva
Publicado em 27 de Maio de 2009
Costa acusa Dias Loureiro de ser um dos maiores responsáveis
A permanência de Dias Loureiro no Conselho de Estado está desde hoje "nas mãos de Cavaco Silva", revelou ao i fonte próxima do ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN). Dias Loureiro foi um dos principais alvos de Oliveira Costa, antigo presidente do BPN, que ontem na comissão de inquérito parlamentar acusou o ex-ministro do PSD de o ter ameaçado e de ser um dos responsáveis pelos problemas do banco. Oliveira Costa fez ainda duras críticas a Joaquim Coimbra, accionista da SLN, mas poupou o Banco de Portugal.
A melhor defesa é o ataque. Esta terá sido a estratégia de Oliveira Costa ontem no inquérito parlamentar ao caso do BPN, que teve como principais alvos Dias Loureiro e Joaquim Coimbra. Numa longa declaração inicial de 56 páginas, o ex--presidente do BPN criticou também o seu sucessor, Miguel Cadilhe, mas poupou a actuação do Banco de Portugal. Horas antes, o Partido Comunista tinha pedido a demissão de Vítor Constâncio por o supervisor bancário ter recusado levantar o sigilo bancário para fornecer documentos pedidos pela comissão. Já sobre o Banco Insular, instituição usada para esconder os prejuízos do grupo, Oliveira Costa invocou a sua condição de arguido para não responder.
O ex-presidente do BPN apoiou a versão do antigo vice-governador, António Marta, da conversa em que Dias Loureiro diz ter tentado alertar o supervisor para eventuais problemas na gestão do banco. Aliás, do actual conselheiro de Estado, Oliveira Costa afirma: "O papel do Dr. Dias Loureiro no Grupo SLN acabou como começou, ou seja, a criar problemas, mas negando sempre estar envolvido na sua génese."
Outro dos alvos do ex-presidente do BPN foi Joaquim Coimbra, um dos principais accionistas da SLN. O empresário foi acusado de ter boicotado várias transacções bem encaminhadas para a venda do BPN e da própria SLN, negociadas pelo então presidente do banco e grupo.
Oliveira Costa acredita que a venda era a única solução para os problemas de insuficiências do grupo, mas para os quais tinha activos suficientes. Segundo afirmou, houve várias operações de venda bem encaminhadas, desde a uma entidade pública ligada à família real da Arábia Saudita, passando por um banco angolano e pelo fundo americano Carlyle. E até por interesses da Líbia, que não foram para a frente porque alguns accionistas não deixaram. O pacto secreto entre dez accionistas que se comprometiam a vender a sua posição em conjunto a um preço de 3,2 euros por acção terá sido a principal razão que levou Joaquim Coimbra e outros accionistas de um núcleo mais restrito de quatro a impedir desde 2007 a concretização destas operações, todas negociadas a um preço inferior, mas ainda assim bom, dadas as condições de mercado.
A negociação mais avançada terá decorrido com o fundo americano Carlyle, que terá oferecido 1,3 mil milhões de euros pelo grupo. Uma proposta que qualifica de boa, dadas as circunstâncias do mercado nos primeiros meses de 2008. No entanto, foi recusada. "Isso é uma proposta insultuosa que serve os seus interesses e não os nossos, e digo-lhe mais, eu por mim não me importo de perder tudo, o que quero é vê-lo na cadeia", terá dito o accionista Avelino Silva. O desmantelamento do grupo seria o objectivo destes accionistas.
Na altura já este grupo de accionistas tentava substituir Oliveira Costa na presidência do grupo, primeiro por Karim Vakil, que assumiu funções de transição, e depois por Miguel Cadilhe. Com a nova gestão, a restruturação da SLN passou por pôr à venda os diferentes negócios, o que, para Oliveira Costa, foi uma estratégia "kamikaze", que veio a culminar na nacionalização do banco em Novembro do ano passado.
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