O Gabinete chinês para os Assuntos de Taiwan disse hoje que Pequim está a trabalhar com o fabricante de tecnologia Foxconn para serem implementadas "medidas eficazes" de combate à onda de suicídios nas suas fábricas da China.
A China expressou hoje preocupação pelas 11 tentativas de suicídio de operários registadas desde o início do ano nas fábricas chinesas da empresa Foxconn, detida pelo grupo Hon Hai Precision de Taiwan, dez das quais foram fatais, nove na unidade fabril de Shenzhen, no Sul da China, e outra no Norte do país.
"O Governo chinês tem dado grande importância às investigações sobre os incidentes e ajudado a empresa a adotar medidas eficazes para prevenir o agravamento da situação", disse hoje em conferência de imprensa em Pequim o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan, Yang Li.
"O gabinete vai trabalhar de perto com outros departamentos e com o Governo local para lidar com os incidentes", acrescentou.
O responsável negou a possibilidade da onda de suicídios nas fábricas da Foxconn na China poderem vir a afetar as relações económicas entre os dois lados do Estreito ao observar que o Executivo chinês "dá as boas vindas e encoraja as empresas de Taiwan a investirem no continente chinês".
"Também esperamos que os empregadores saibam cuidar dos seus trabalhadores", alertou Yang Li.
O presidente do grupo Hon Hai, Terry Gou, deslocou-se hoje à fábrica da Foxconn em Shenzhen, que alberga 420 mil operários de um total de 800 mil que a empresa detém na China, para guiar uma visita a um grupo de jornalistas de Taiwan com vista a afastar suspeitas de maus tratos a trabalhadores.
O responsável, que atribui a culpa pela multiplicação dos suicídios à cobertura da imprensa, anunciou esta terça feira que o grupo iria "convidar muitos jornalistas de Taiwan e estrangeiros para conhecerem a fábrica", mas quando a Agência Lusa contactou a Foxconn para integrar a visita foi informada de que a mesma tinha sido agendada repentinamente para as 11:00 locais.
Impossibilitada de se deslocar a Shenzhen em tão curto espaço de tempo, a Lusa solicitou autorização para visitar as instalações fabris na tarde de hoje, mas sem sucesso, já que a Foxconn insistiu que a visita para a imprensa se iniciava às 11:00 e que, por isso, seria apenas a essa hora que nos abririam as portas.
Os trabalhadores da Foxconn queixaram-se através da Internet de jornadas de trabalho longas, salários baixos e maus-tratos dos supervisores.
A Foxconn decidiu esta semana contratar 2000 psiquiatras e psicólogos para travar a onda de suicídios, que vão receber salários anuais entre os 20 mil e os 60 mil euros face aos 1400 euros anuais pagos aos operários.
Ativistas de Hong Kong planeiam boicotar mundialmente em junho o novo modelo do «iPhone» da Apple, fabricado em Shenzhen pela Foxconn a par de outros aparelhos tecnológicos, como computadores e consolas de jogos, de marcas como a Sony, Nokia e Dell.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




Rating: 0.0
Actividade em ionline