PSD
Onde está a oposição interna laranja? Fica à espera das presidenciais e da reeleição de Cavaco
Publicado em 26 de Maio de 2010
Mais que Passos Coelho, é a crise que cala as vozes críticas no PSD. Rangel está à espreita
Depois de um mandato turbulento de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, não se ouve um pio da oposição interna. O pacote de austeridade acertado por Pedro Passos Coelho com o primeiro-ministro José Sócrates, que poderia ser motivo de tensão no interior do PSD, foi recebido praticamente em silêncio. Muito activo como eurodeputado, Paulo Rangel foi o único que até agora pôs em causa o grau de exigência do PSD no acordo com o PS.
"Não tenho dúvidas de que é preciso um sinal muito mais forte na redução da despesa e que aí tanto o Governo como a oposição, e em particular o PSD, deviam ser mais exigentes ainda do que aquilo que foram", disse o principal adversário de Passos nas últimas directas.
As frases do eurodeputado no passado dia 14 foram criticadas no interior da direcção do partido, mas a ordem foi para ninguém reagir em público. "Penso que são medidas de austeridade necessárias, mas gostava de ver um maior empenho na redução da despesa. Julgo que não houve", adiantou Paulo Rangel. Apesar das tentativas do i, o eurodeputado não quis acrescentar qualquer outro comentário, ainda que na sua página no Facebook vá criticando a actuação do governo e recebendo os aplausos dos leitores.
"E quem ganhou as eleições para a liderança do PSD? Não foi o [Passos] Coelho, saído da cartola para, logo de seguida, corporizar um tango a sós com Sócrates?", escrevia um dos seguidores de Paulo Rangel na sexta-feira passada. Porém, não recebeu qualquer resposta do eurodeputado.
O silêncio é a regra de ouro dos adversários de Passos Coelho. Personalidades que foram críticas em relação ao novo líder, como é o caso de Nuno Morais Sarmento, Marcelo Rebelo de Sousa ou Pacheco Pereira, preferem também "não agitar as águas".
Isto embora Morais Sarmento tenha criticado a forma como Passos Coelho se encontrou com José Sócrates sem antes avisar o PSD ou marcar um Conselho Nacional, porque, como então afirmou, "uma coisa é o líder do PSD, outra é o PSD". Como diz ao i uma fonte da anterior direcção, "estamos num momento absolutamente negro e ninguém fala tudo o que pensa porque seria acusado de estar a desestabilizar o PSD e o país".
Na sua primeira reaparição na TVI, domingo passado, Marcelo Rebelo de Sousa alinhou pelo tom de pacificação, mas não deixando de dar a sua alfinetada à entrevista de Passos Coelho ao mesmo canal.
Em resposta a Constança Cunha e Sá, Passos Coelho disse que se a Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI revelasse que Sócrates mentiu, o primeiro-ministro se deveria demitir. Segundo Rebelo de Sousa, "toda a gente já percebeu que o primeiro-ministro sabia", mas "não se pode sacrificar o país pelo prazer de ver Sócrates na rua". O professor também elogiou Passos Coelho por ter aceitado o acordo com o governo, afirmando que o líder do PSD "fez muito bem".
Os argumentos para que a oposição interna esteja "aparentemente apaziguada", na expressão da mesma fonte, tem a ver ainda "com a sensação que existe que, em termos políticos, nada vai acontecer antes das presidenciais de 2011".
Todos já perceberam que não irá haver eleições antecipadas até Setembro, o último mês em que poderiam ser realizadas antes das presidenciais. Ou, como se diz no interior do PSD, "até 2011 só interessa a reeleição de Cavaco Silva". Depois de verá.
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