O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje que as medidas apresentadas pelo Governo para reduzir o défice só servem para "meter nos bolsos sem fundo do capital financeiro" o sacrifício que se está a exigir aos trabalhadores portugueses.
Em declarações à agência Lusa à margem de mais uma ação de protesto contra o Plano de Estabilidade e Crescimento, junto aos estaleiros navais da Lisnave, em Setúbal, o líder comunista defendeu que a atuação do Governo no combate à crise não pretende resolver nenhum problema nacional.
"Roubam nos salários, aumentam o custo de vida, degradam os serviços públicos. E para quê? Não para resolver algum problema nacional ou da nossa economia, do nosso desenvolvimento. É apenas para meter nos bolsos do capital financeiro - bolsos sem fundo - este sacrifício que se está a exigir aos trabalhadores portugueses", afirmou.
Jerónimo de Sousa defendeu ainda a importância de os trabalhadores saírem para a rua no próximo dia 29, data agendada pela CGTP para uma greve geral: "Como diz o nosso povo, se o Governo achar mole, carrega. E os trabalhadores têm fortes razões para não permitir que, não tendo nenhuma responsabilidade nesta crise, tenham que pagar por ela", disse.
Enquanto não se falar de "uma medida substancial para ir buscar dinheiro onde o há", considerou, os trabalhadores "têm uma razão funda para lutar, dizer que basta de afundamento para o país".
"Os portugueses devem poder acreditar que é precisa - e possível - uma rutura com este caminho para o desastre", terminou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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