Mãe de Alexandra acusada de mentir sobre a família de acolhimento

Publicado em 26 de Maio de 2009   
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A cidadã russa Larysa Yevchuk, que reside e trabalha em Braga, acusa a mãe da menina que regressou à Rússia de "mentir" ao dizer que a criança era maltratada pela família que a acolheu em Barcelos.

"Fui eu quem indicou a família, há quatro anos, para que a menina tivesse quem tomasse conta dela", assinala, garantindo que o casal de Barcelos - João Pinheiro e Florinda - sempre cuidou da Alexandra, a menina russa, "com todo o cuidado".

A imigrante, que trabalha numa loja de produtos russos do centro da cidade, sente-se "chocada" com as declarações da mãe da menina a uma televisão russa, frisando que a conhece bem, pelo que continua a defender que "não tem condições para a criar e educar".

A televisão russa NTV exibiu imagens da criança que foi retirada à família Pinheiro a levar palmadas da mãe biológica que acusou o casal português de querer vender Alexandra para "retirar órgãos".

“Sabe-se lá o que eles poderiam fazer com ela? Vendê-la para retirar órgãos ou até mandá-la para uma casa de prostituição”, acrescentou Natália Zarubina, a mãe biológica, ao falar da família afectiva portuguesa.

Larysa assegura que a maioria dos cidadãos russos residentes em Braga rejeita as acusações da sua compatriota, exactamente porque a conhecem pessoalmente e porque acompanharam o caso nos últimos anos.

Garante que "todos os russos conhecem o caso e a negligência que o causou" e evoca os tempos em que ajudava a criança, dando roupa e comida para que não passasse mal, ante os problemas quotidianos da mãe.

Nesse sentido, manifesta-se "preocupada" com o destino de Alexandra, pedindo, por isso, ao Governo da Rússia o acompanhamento da criança e da família.

Para dar público testemunho das "mentiras" que foram atiradas sobre o casal de Barcelos, a comunidade russa residente em Braga pondera a realização de uma manifestação de rua para domingo, dia 31.

"Vamos dizer aos portugueses e aos russos que a mãe mente e que o casal de acolhimento só fez bem à Alexandra", justificam.

A menina, de seis anos e filha de uma imigrante russa, estava à guarda de uma família de Barcelos há quatro anos, mas uma decisão judicial de 2008 determinou que fosse devolvida à família biológica, apesar dos problemas de alcoolismo que os técnicos referenciaram na mãe.

O pai, um imigrante ucraniano, vive actualmente em Espanha.

Na semana passada, a criança, que fala apenas português, passou a viver com a mãe e a avó numa cidade russa, a 350 quilómetros de Moscovo.

 



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